As matas não podem morrer!
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sábado, 22 de junho de 2019
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23 de junho 1979
As duas últimas matas virgens no Norte do Paraná e o cuidado para deixá-las livres da depredação humana: Em Londrina, a Mata dos Godoy; em Ivaiporã, a Fazenda Ubá. A luta preservacionista dessas duas áreas foram tema da Folha Rural do dia 23 de junho de 1979.
Na Fazenda Santa Helena, 500 alqueires de terra, rigorosamente virgens, a 20 km do centro de Londrina é a reserva preservada por Álvaro Godoy. A única com tais dimensões e características em toda a região, segundo a reportagem. Derrubada, essa mata renderia uma fortuna em madeira. Vendidos os 500 alqueires, ao preço médio naquela parte do município (em torno de Cr$ 80 mil o alqueire), aquela terra valeria pelo menos 40 milhões de cruzeiros.
As placas em torno da mata dão a medida do Zelo de Godoy pela sua integridade. Elas não proíbem derrubar palmitos ou apenas caçar e pescar. Proíbem simplesmente “tocar” na mata. Quando Álvaro Godoy morreu em março de 1979, uma inquietação pairava sobre a cidade: o destino de suas matas. “Ninguém põe a mão na nossa floresta”, avisou o irmão Olavo Godoy, que assumiu a responsabilidade pelos cuidados com a mata.
Em Ivaiporã, Joseph, um moço de quase trinta anos, engenheiro florestal formado em Zurich, e que está há dois anos no Brasil, administra a Fazenda Ubá e preserva intacta uma floresta de 450 alqueires tratando de afugentar os caçadores e os ladrões de madeiras raras. Descrente dos órgãos oficiais, ele pretende levar adiante um ambicioso projeto de reflorestamento. Fala com um sotaque forte e não usa meias palavras. De vez em quando, se irrita quando a palavra IBDF é pronunciada. Acha o órgão pouco ativo, vagaroso demais. Joseph tem pressa.

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