Em 2017, a erva-mate sombreada chegou a 237,4 mil toneladas produzidas, incremento de 3,5% comparado ao ano anterior
Em 2017, a erva-mate sombreada chegou a 237,4 mil toneladas produzidas, incremento de 3,5% comparado ao ano anterior | Foto: Rodolfo Buhrer/La Imagem/Divulgação

A produção da erva-mate no Paraná pode ser por meio de ervais nativos (em que acontece a extração das folhas, seguindo a legislação ambiental) e também os ervais plantados, que podem estar em pleno sol (sistema de monocultura), como também sombreamento adensado, em que mudas são plantadas dentro de uma floresta (natural ou plantada), com sombreamento, o que valoriza demais o produto no mercado e é uma das especialidades do Estado, bem diferente da monocultura rio-grandense, por exemplo.

Independentemente do sistema de produção, números do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) compilados pelo Deral (Departamento de Economia Rural), da Seab (Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná) apontam para um crescimento dos volumes no Estado. Em 2017, a erva-mate sombreada chegou a 237,4 mil toneladas produzidas, incremento de 3,5% comparado ao ano anterior. Já a extraída chegou a 301 mil toneladas. Os municípios de Cruz Machado, São Mateus do Sul, Bituruna e General Carneiro – todos mais ao Sul do Estado - estão no topo da lista.

Mesmo com alguma expertise do produtor, ainda há muitas lacunas de manejo que precisam ser preenchidas. Por isso, a Embrapa Florestas lançou em 2016 o “Erva 20”, que traz um conjunto de técnicas recomendadas para a produção da cultura, seja para ervais de pleno sol ou sombreados de adensamento. O trabalho só não se encaixa nos ervais de extração. O manual compilado e impresso foi publicado este ano.

O engenheiro agrônomo e analista da Embrapa Floresta, Ives Goulart, relata que o produtor precisa “trazer o conhecimento para dentro do erval”, ajudando a profissionalizar a cadeia. Ele cita três pilares de manejo que precisam ser trabalhados: adubação, competição com plantas daninhas e regime de podas.

Na adubação, ele relata que menos da metade dos produtores fazem as recomendações de solo. Isso acontece muito pela bagagem histórica da cultura. “Por se tratar de uma erva nativa do Sul, ela tem uma característica de extrativismo. A tradição era ir até a floresta natural e tirar a erva-mate, o único manejo era a colheita, costume que ficou conservado até os dias de hoje.”

No caso da poda, Goulart cita um paradoxo interessante: de um lado o produtor precisa das folhas, por outro são elas as responsáveis estruturais por manter a planta viva. É preciso um balanço disso. “São as folhas que fixam a energia do sol e transformam em mais folhas e broto. A produtividade tem caído nos últimos 30 anos porque se colher tudo (100% das folhas), a planta fica debilitada, vai perdendo vigor e morrendo. Se fizer um regime de poda adequado, um ajuste fino, é possível ter mais produtividade, inclusive em ervais orgânicos.”

Por fim, um dos grandes vilões, principal praga da erva-mate, é um besouro chamado broca da erva-mate ou comumente conhecido como 'corintiano', já que o inseto é preto e branco. A larva do besouro broqueia as plantas adultas e dizima ervais. A dor de cabeça, entretanto, tem solução: um inseticida biológico que controla 80% da praga, mas a adoção ainda é baixa pelos produtores. “Em relação às plantas daninhas, não existe uma espécie muito complicada, no Erva 20 recomendamos as coberturas vegetais. Vale dizer que não existe herbicida registrado para a erva-mate”, avisa.

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