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Londrina

Folha Rural

m de leitura Atualizado em 17/06/2022, 18:12

DEDO DE PROSA - Lembrança

Era um sítio muito lindo, com flores na varanda, que minha avó, Margarida, cuidava com tanto zelo

PUBLICAÇÃO
sábado, 18 de junho de 2022

Simone Castro Alegre de Lima
AUTOR autor do artigo

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Nasci em São Paulo, capital. Quando tinha meus 9 anos, vim para o Paraná, na cidade de Pérola, passear na casa dos meus avós maternos. Eles tinham plantação de café.

Imagem ilustrativa da imagem DEDO DE PROSA - Lembrança Imagem ilustrativa da imagem DEDO DE PROSA - Lembrança
|  Foto: Marco Jacobsen
 

O sítio era bem perto da cidade. Logo na estrada, avistava o carreador que levava para a casa.

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Lá moravam Ismael, Margarida e meu tio Egídio.

Era um sítio muito lindo, com flores na varanda, que minha avó, Margarida cuidava com tanto zelo.

Lembro que tinha ao lado da casa, um gramado daqueles bem fininhos. Bom para ficar descalço.

Tinha onde meu avô rastelava o café para secagem.

Tinha um galinheiro enorme e o tão famoso banheiro, o buracão. As vezes preferia ir no mato mesmo.

Eu nem queria saber, tinha medo das galinhas.

À noite, que delícia, tudo bem escuro, barulho só dos grilos, como todo sítio, muito aconchegante.

A lâmpada era daquela que tinha que subir na cama para acender.

Uma certa noite fomos dormir. Eu, minha mãe e minha irmã mais nova. Dormíamos as três na mesma cama, eu senti algo, uma ardência.

Incomodada, fiquei em pé na cama, ascendi a lâmpada.

E para meu espanto, a cama estava com muitas formigas.

Acordei minha mãe e irmã, nunca tínhamos visto algo parecido, não numa cama.

Acordei todos da casa com o pavor.

Daí meus avós explicaram que aquilo era correição.

Meu tio contou que quando ele percebia que tinha formigas no quarto, ele, em uma ocasião, chegou a ficar quietinho e passaram por cima dele, seguindo o caminho.

Achei tão interessante aquilo.

Elas andam certinhas, em fila indiana. Essa é uma das lembranças que tenho daquela linda casa de madeira. Os pés de café que eu gostava de passear entre eles.

Hoje, todos os dias, o café faz parte do meu amanhecer.

Tenho minha avó que agora em maio completou seus 96 anos, lúcida. Acho que toda criança tem que ter lembranças como essas.

O sítio sempre nos reserva bons momentos e lindas lembranças.

Simone Castro Alegre de Lima, leitora FOLHA e colecionadora dos textos Dedo de Prosa desde 2014.

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