Revendo fotos num velho álbum de formatura, me veio à lembrança um tempo especialmente feliz, daqueles que podemos classificar como sendo "um dos melhores de nossas vidas". Corria a década de 1970. Eu já havia concluído o curso ginasial e o técnico em contabilidade. Com a impossibilidade de frequentar uma faculdade, que era rara e distante, na época, resolvi cursar o magistério na vizinha cidade de Santa Fé porque na nossa ainda não havia curso médio, ou colegial.

Recordo-me de que íamos mais ou menos em nove pessoas numa Kombi de aluguel. Perto da uma hora da tarde nos reuníamos na praça e lotávamos a Kombi. Com nossos uniformes azuis e brancos, saias curtíssimas, éramos jovens e bonitas, alegres, divertidas e cheias de vida. Gostávamos de cantar as belezas da vida, das paixões que enchiam nossos corações no auge dos 17, 18 anos; ríamos demais da conta, contávamos piadas, colocávamos carinhosos apelidos nos professores, nas próprias amigas, tudo era festa! Brincadeiras e diversão à parte, nos destacávamos como boas alunas, éramos queridas pelos professores e pelas garotas do colégio, a Escola Normal Colegial de Santa Fé.

A estrada, ligando as duas cidades, era de terra, mal conservada e nos dias de chuva não dava para ir; ficávamos chateadas pois, além de escola, funcionava também como passeio e diversão. Uma amiga da sala, me confidenciou, há poucos dias, que todas as alunas "sentiam falta das meninas das graças nos dias de chuva". Pelo caminho éramos barulhentas feito umas gralhas, acenávamos para as pessoas, paquerávamos os garotos e teve até o caso do boiadeiro que se apaixonou por uma de nós..., mas a história não deu certo, ficou só na fantasia...

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Quase todas nós já trabalhávamos com educação e, nessa vida, " brincando de aprender, aprendíamos de verdade a ensinar, brincando". Entre Piaget, Montessori, Paulo Freire, psicologia e pedagogia, muita criatividade, cartazes, teatros para crianças, práticas de ensino, algumas "colas nas provas", brincadeiras em sala, desfrutávamos, alegremente, da nossa vida de normalistas.

Ao final do curso, a formatura com missa, juramento, canudo, anel (o meu foi emprestado) e tudo o que era de direito, no Salão Paroquial porque a Igreja de Santa Fé havia sido destruída por um ciclone! Na cerimônia simples, enquanto nos despedíamos das amigas com lágrimas nos olhos, felizes mas já saudosas, ficou o registro na foto com as formandas e as professoras, um quadro digno de ocupar, com destaque, a parede do coração, emoldurada por imensa saudade.

icon-aspas Quase todas nós já trabalhávamos com educação e, nessa vida, 'brincando de aprender, aprendíamos de verdade a ensinar, brincando'."

Estela Maria Frederico Ferreira, leitora da FOLHA

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