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Londrina

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m de leitura Atualizado em 08/03/2022, 16:47

Londrina está no top15 das cidades mais verticais do mundo

O crescimento acelerado da quantidade de prédios impressiona e o cenário traz vantagens e desvantagens para a população

PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

Lara Bridi - Especial para a FOLHA
AUTOR autor do artigo

Foto: Gustavo Carneiro
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Em dados de 2006 a 2015, Londrina ocupava a 12ª posição no ranking de cidades com mais prédios em relação ao número de habitantes, em escala mundial, segundo levantamento do Sebrae no Paraná (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e Sinduscon Norte (Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Paraná). Já em números absolutos, era a sexta cidade no Brasil com mais edifícios de ao menos 12 andares. Passando a dezembro de 2019, o Sebrae apontou que mais de 20% dos domicílios londrinenses era do tipo apartamento, frente ao número nacional de apenas 14%, conforme o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Os dados chamam a atenção para a rápida ascensão de Londrina como uma cidade verticalizada, ou seja, que cresce em altura, em vez de em área. 

Vista aérea da cidade de Londrina (26/01/2020) Vista aérea da cidade de Londrina (26/01/2020)
Vista aérea da cidade de Londrina (26/01/2020) |  Foto: Gustavo Carneiro
  

É preciso entender que essa verticalização não ocorreu por acaso. Ana Flávia Galinari é diretora de Planejamento Urbano do Ippul (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina) e explica que diversos fatores foram favoráveis para que a jovem cidade assumisse esse aspecto. Tanto as condições legislativas quanto mercadológicas sempre estiveram a favor da verticalização. Enquanto a demanda imobiliária crescia, as leis municipais, como a Lei de Uso e Ocupação do Solo, criaram condições propícias para que prédios fossem predominantes na região. 

Era de interesse dessas instituições que Londrina se verticalizasse a fim de promover o chamado adensamento urbano, que ocorre quando uma grande quantidade de estruturas urbanas se concentra em uma só região. Para tanto, outras medidas como a ocupação de vazios urbanos também são tendências a serem praticadas. Galinari acredita que o adensamento “seja necessário, ao invés de a gente pensar no espraiamento urbano, que é o crescimento horizontal sobre as áreas onde o ambiente natural ainda está preservado”.

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INFRAESTRUTURA

Mais que uma preocupação ecológica, a qualidade de vida também é um elemento a ser considerado. Segundo Galinari, o adensamento diminui distâncias e, portanto, o deslocamento de pessoas entre diferentes áreas dentro da cidade é barateado. Da mesma forma, uma região que apresente recursos, como abastecimento de água, iluminação, saneamento e transporte, ao crescer “para cima” passa a oferecê-los a um maior número de habitantes. 

A ideia parece agradar tanto aos londrinenses quanto ao mercado imobiliário: hoje, a cidade ostenta prédios de mais de 120m de altura. Diversos deles estão localizados na Gleba Palhano, o qual apresentou uma das verticalizações mais aceleradas da cidade. Para se ter uma ideia, apenas na década até 2010, mais de 100 edifícios com média de 30 andares foram erguidos no local, conforme apontou o Ippul. Em pesquisa, o Sebrae constatou que, até dezembro de 2019, mais da metade dos domicílios desse bairro, assim como do Centro, eram verticais.

Vista aérea da cidade de Londrina Vista aérea da cidade de Londrina
Vista aérea da cidade de Londrina |  Foto: Roberto Custódio
  

Entretanto, problemas também surgem com esse quadro. Ao passo que as habitações se aglomeram, assim também fazem os automóveis. O trânsito se torna um desafio, ainda mais em Londrina, onde grandes áreas verdes que cortam a cidade não podem ser transpassadas com vias. “Se a infraestrutura viária não for suficiente para absorver esse adensamento construtivo e populacional, existe o risco de a gente ter um supercongestionamento de veículos, e isso agravar a possibilidade de acidentes.” – alerta a diretora.

Por esse motivo, soluções de mobilidade são procuradas. Galinari aponta a presença de ruas largas e o bom funcionamento do transporte coletivo como essenciais, além da criação de condições que incentivem a adesão de meios alternativos aos motorizados, tais quais andar a pé ou de bicicleta.

Para o futuro da cidade, é esperado que seu crescimento siga esse padrão de adensamento, ou pelo menos é isto que prevê a Lei Geral do Plano Diretor Participativo de Londrina. O documento, pensado pelo Ippul e sancionado pelo Prefeito Marcelo Belinati (PP) em janeiro de 2022, propõe princípios, diretrizes e estratégias para que a cidade continue a se desenvolver de forma a garantir a qualidade de vida de sua comunidade. A Lei tem vigência até o ano de 2028 e, durante esse período, vamos assistir a uma Londrina cada vez mais perto do céu. 

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