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Santo Antônio, São João e São Pedro. O mês de junho chegou e com ele as tradicionais festas. Embora por conta da vida corrida elas acabem acontecendo principalmente nos finais de semana, há quem seja mais tradicional e prefira festejar no dia de cada santo: 13, 24 e 29 de junho, respectivamente.

Mas quem foram os santos que inspiram as festas e por qual motivo são festejados? O padre palotino Emerson José da Silva, da Paróquia Nossa Senhora de Nazaré, em Londrina, explica que a devoção aos santos veio junto com os portugueses e aqui foi incrementada com o jeitinho brasileiro.

“Santo Antônio, São João e São Pedro são santos muito populares, principalmente aqui em Londrina e região. As famílias se reúnem nos dias para rezar o terço, fazer fogueira, são famílias que têm pequenos sítios ou chácaras. São santos simples, mas de uma importância muito grande”, diz.

Padre Emerson explica que Santo Antônio nasceu em Portugal, mas morreu na Itália. Apesar da fama de casamenteiro, ele é um santo ligado aos pobres, tanto é que em algumas igrejas há um cofre para as pessoas doarem o pão de Santo Antônio para os pobres, segundo o padre.

SANTO ANTÔNIO

“Ele era franciscano, no convento onde vivia ele distribuiu todos os pães para os pobres. E quando o frade padeiro foi buscar para a refeição, levou um grande susto, não havia nenhum pão na cozinha. Quando foi contar para Santo Antônio sobre os pães, ele mandou o padeiro voltar e verificar se eles não estavam lá. Aí o frade padeiro ficou surpreso, pois encontrou o cesto cheio de pães. Por isso que até hoje existe essa devoção ao pãozinho de Santo Antônio, muitas pessoas colocam na lata de mantimento, para que não falte. Acho que é algo muito atual, que nós devemos aprender com Santo Antônio: distribuir, dar e repartir para com aqueles que precisam. Se a gente repartir nunca vai faltar”, aponta o padre.

SÃO JOÃO

Já São João era o primo de Jesus e tem a tradição da fogueira no dia 24 de junho, já que teria sido feita uma fogueira para anunciar o nascimento dele. “São João é o único santo, além de Nossa Senhora, que celebramos o nascimento (24 de junho), e em agosto é o martírio dele. Mas damos mais ênfase ao nascimento. São João apontou o primo – 'eis o Cordeiro de Deus, Aquele que vocês devem seguir, eu sou a voz que anuncia'. Hoje, quantas pessoas são sinais da presença de Deus, que nos conduz a Deus, nos aponta Deus?”, questiona ele.

SÃO PEDRO

Por fim, em 29 de junho é celebrado São Pedro, o discípulo, considerado o primeiro papa da Igreja Católica. “É o pescador de Jesus, Jesus o chamou. São Pedro mostra algo de cada um de nós, tão humano! Nós olhamos no Evangelho, ele dá tanta bola fora, não entende as palavras de Jesus, mas Jesus é persistente com ele e ele se deixa conduzir por Jesus, pelo Reino de Deus. É algo importante que também precisamos aprender, deixar que Deus conduza os nossos caminhos, nos faça pescadores de homens”, conta padre Emerson.

O MAIS POPULAR

Segundo ele, entre os três Santo Antônio seria o mais popular, tanto pela ligação com os pobres, como pela fama de casamenteiro. O padre se recorda até de uma história curiosa de sua infância na capital paulista. Ele fazia parte da Paróquia Santo Antônio de Lisboa, onde havia uma imagem do santo que havia vindo de Portugal. Provavelmente buscando um casamento, alguém levou a imagem do menino Jesus e só devolveu anos depois. “Pensamos que a pessoa casou e devolveu. É importante quando o povo preserva essa piedade popular, isso demonstra que ainda tem fé, que acredita em Deus, no poder divino, na interseção dos santos.”

ALEGRIA NO CORAÇÃO

“Não podemos abrir mão (das festas), independentemente da religião. Nosso povo traz uma vida sofrida, dolorida, pesada. Essas festas alegram o coração das crianças, dos idosos, de todos, unem, criam vínculo. Mesmo uma festa em casa, simples, se cozinha um milho, faz um bolo de fubá, um chocolate quente e fica junto, dá risada um pouco. Hoje se conversa muito por celular e as pessoas estão pouco unidas. Isso é o mais bonito das festas, estarmos juntos e alegres”, destaca o religioso.

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