'Olha, que isso aqui tá muito bom'
Toda festa junina precisa ter boa música. No controle da sanfona do forró pé de serra, músico aproveita para fazer negócios e se divertir
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sábado, 01 de junho de 2019
Toda festa junina precisa ter boa música. No controle da sanfona do forró pé de serra, músico aproveita para fazer negócios e se divertir
Laís Taine - Grupo Folha 

Festa junina sem forró não é uma festa de respeito. Por conta disso, músicos que tocam o gênero acabam ampliando seus negócios nessa época. É o caso do acordeonista e produtor musical João Sales, 33, que alegra as danças dos caipiras animados e embala as quadrilhas de quem não tem vergonha de se divertir.
“Olha a cobra! É mentira”, quem se assusta o faz com ou sem ensaio no ritmo da música. “Não pode faltar o repertório de Mário Zan, que foi um grande sanfoneiro brasileiro. Ele e Inezita Barroso compuseram uma seleção de músicas caipiras que entram nas festas juninas. São muitas músicas, um repertório todo que é a trilha utilizada até hoje com as narrativas”, afirma.
O acordeonista toca vários gêneros: MPB, jazz, folk rock, música italiana e francesa, mas para as festas juninas o mais pedido é o xote pé de serra. “É o estilo de forró nordestino, então tem Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Alceu Valença, Elba Ramalho e Gilberto Gil, são vários artistas que têm obras dentro do quadrante forró, além, é claro, do repertório tradicional da quadrilha”, afirma.
Para ele, tocar em festas juninas é diferente das outras apresentações. “O contexto é todo particular, tanto que é anual e não se parece com nenhum outro. Um contexto único, alegre, que une as pessoas em torno de uma alegria singela, de uma brincadeira, que é muito bom participar”, afirma. Ainda mais para quem animou a festa e acaba recebendo carinho exclusivo dos participantes. “Os músicos em geral são muito bem tratados nessas festas, o sanfoneiro acho que mais ainda”, brinca.
Então, além de fazer a alegria dos caipiras de estação, aproveita também para se divertir ao final da música. “Eu particularmente gosto de festas juninas, pelo clima, pela alegria, pela simplicidade. Gosto dos doces, da culinária. Quando eu sou contratado, consigo aproveitar, fazer novos contatos, interagir com as pessoas, comer as delícias todas que geralmente têm nessas festas, é muito bom”, comenta.
E para os negócios é melhor ainda. Nesse período, há uma busca particular por sanfoneiros e músicas típicas. Sozinho ou com o Calango, grupo de forró pé de serra do qual faz parte, Sales acaba fechando mais contratos no período. “Aumenta, afeta bastante o cronograma do acordeonista. Como é uma época de festividade típica brasileira que se espalhou por quase todo o País, essa época, em particular, os acordeonistas trabalham mais. Então, é uma época propícia a maiores lucros e novos contatos. É um período muito bom para se trabalhar. Em questão de negócios, as festas juninas formam uma época importante para mim”, afirma.
“Eu costumo finalizar a festa sempre com a música: 'Olha que isso aqui tá muito bom, isso aqui tá bom demais, olha quem tá fora quer entrar, mas quem tá dentro não sai”, cantarola.
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