Gatos reagem instintivamente, frente à nossa comunicação, e não retrucando com raiva ou culpa
Gatos reagem instintivamente, frente à nossa comunicação, e não retrucando com raiva ou culpa | Foto: Shutterstock

Assim como os cães, os gatos reagem à nossa mudança de comportamento e não porque sentem culpa ou raiva em relação aos tutores. Juliana Damasceno, bióloga e doutora em psicobiologia, explica que muitas das atitudes dos gatos são devido à sua espécie ou ao próprio indivíduo e são essas atitudes que nos desagradam. Por exemplo, se o gato arranha o sofá, o tutor dá uma bronca e o animal revida atacando, não é porque ficou com raiva pela bronca, a qual ele também não entendeu o motivo.

“Ele atacou porque você o ameaçou e não porque isso estava relacionado à arranhadura do sofá, que é um comportamento natural, ele precisa arranhar. Eles reagem instintivamente, frente à nossa comunicação, e não retrucando algo com raiva ou culpa. É mais relacionado ao medo ou à defesa. Tem animal que por medo ataca ou se esconde. Cada indivíduo vai fazer de uma maneira. Quando a motivação do comportamento é maior, o animal vai fazer na ausência do tutor”, explica.

Mesmo quando eles fazem algo que nos desagrada e correm, na verdade não estão correndo porque sentem que fizeram algo errado e sim porque temem a nossa reação. “Quando o gato brinca com o rolo do papel higiênico é porque o rolo mexe, é um estímulo ambiental de caça e os gatos precisam brincar, precisam expressar esses comportamentos naturais. Ele não vai relacionar o desagrado do tutor com estar errado mexer ali. Ele vai mexer porque a motivação é maior, mas vai correr do perigo da nossa represália”, diz Damasceno.

ARRANHADORES

Também como os cães, alguns dos motivos de conflitos entre tutores e gatos são justamente os comportamentos naturais destes pets, como arranhar, subir em locais altos. Para minimizar os problemas o ideal é proporcionar um ambiente onde tais comportamentos possam ser exercidos, com arranhadores, por exemplo.

Mesmo um dos comportamentos que mais irritam os tutores, que é o xixi fora da caixa, exige uma profunda investigação antes de ser classificado como marcação de território. “Muitas coisas podem estar envolvidas com o xixi fora da caixa. É importante ficar atento: se o gato é castrado, se faz xixi em pé ou sentado, a quantidade de caixas, tipo de areia, doenças do trato urinário. Estando desconfortável, ele relaciona a caixa com dor”, exemplifica ela.

ROUPAS

Apesar do inverno e até dos vídeos engraçadinhos na internet, o uso de roupas pelos gatos não é algo recomendado pela especialista. Segundo ela, os gatos têm uma sensibilidade na pele bem diferente da nossa, além de usar o corpo para se relacionar com o ambiente e com outros gatos. “Dificilmente ele vai gostar daquilo, ele se habitua e suporta, então eu não indico. No frio eles gostam de ficar quentinhos mas sempre ficam em cima da coberta, dificilmente eles se cobrem.”

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