Cão Prejuízo foi adotado por motorista que se responsabilizou pelo acidente: "É um dever, tem que socorrer"
Cão Prejuízo foi adotado por motorista que se responsabilizou pelo acidente: "É um dever, tem que socorrer" | Foto: Arquivo Pessoal

A história de Andréia Ferreira da Silva, 39, mostra que prestar socorro a um animal atropelado pode trazer resultados que dinheiro nenhum compra. Quase três meses depois do acidente, ela conta como não se arrepende de ter ajudado o cão que hoje traz ganhos que dinheiro nenhum compra.

A motorista autônoma conduzia uma van escolar e não pôde evitar que os cachorros que brincavam na calçada viessem correndo em direção à rua, batendo na lateral do veículo. Um deles ficou machucado. “Ele não conseguia andar, mas não estava bravo, agia normal”, conta ela, que estranhou o fato de o cachorro estar bem cuidado. “Deve ter escapado de alguma casa, eu acredito”, afirma.

Como estava em horário de expediente, ela não poderia levar o cão ao veterinário, mas contou com a ajuda de uma pessoa que estava no momento do acidente. “O rapaz o levou ao veterinário, dei meu cartão de visitas para ele entrar em contato comigo para que quando eu terminasse o trabalho, eu pudesse passar lá na clínica”, conta. Para Silva, que não tinha animais de estimação, todo o processo foi novidade. O animal passou pelos primeiros socorros na clínica e depois ela o levou para um hospital veterinário para que pudesse passar por cirurgia. “Ele fraturou a perna na sexta-feira, ficou internado e na segunda-feira passou por cirurgia”, recorda.

Nesse tempo e depois, a motorista pediu ajuda dos moradores do bairro para encontrar o dono do cachorro, a busca foi até pelas redes sociais, mas ninguém se manifestou. “Então eu falei que seria meu, ele tinha feito a cirurgia e precisava da recuperação”, decidiu. Como Silva - que mora em apartamento - possui um estacionamento que funciona 24 horas, optou por deixar o novo amigo no local para que sempre tivesse alguém o observando. “A gente está lá o tempo todo, sempre tem alguém e ele não pode ficar se movimentando”, justifica.

AMOROSO

Silva informa que teve que pagar os custos com o cachorro, o que explica o nome dado ao animal: Prejuízo. Apesar da brincadeira, ela conta que não se arrepende de ter parado para socorrer e de ter se responsabilizado por pagar pelo atendimento, remédios e cirurgia. “Pensa em um cachorro amoroso, muito bonzinho. Não me arrependo, de forma alguma. Depois que passei por isso comecei a perceber como as pessoas são irresponsáveis, pegam o bicho e não cuidam, deixam para fora ou abandonam e a gente não tem a quem recorrer, vai pedir ajuda para quem? E se eu não conseguisse pagar?”, questiona.

Ela sabe que existem ONGs na cidade que podem ajudar, mas também argumenta que o número de animais que precisam de auxílio é muito maior do que o de pessoas dispostas a ajudar. “Acabei conhecendo muitas pessoas que amam animal e que cuidam, mas eu acho que tinha que ter um lugar que a gente pudesse contar, um hospital veterinário público, talvez”, aponta.

Sobre o socorro, afirma que jamais pensou em não ajudar o animal. “É um dever, tem que socorrer, independentemente de qualquer coisa, e muitas vezes o dono não vai aparecer. Eu acredito que esse tinha um dono, mas agora ele é meu, estou feliz com o meu cachorro”, finaliza.

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