A merenda de uma escola é assunto sério e segue as diretrizes do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), regulamentado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). O programa exige o uso de alimentos variados e, entre os principais critérios estão atender às necessidades nutricionais dos alunos.

Além do cumprimento devido, a Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Cambé comemora a premiação pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), do Ministério da Educação, por um projeto de diálogo com as famílias sobre a importância da alimentação saudável na infância. A iniciativa também é feita nas escolas, desde a elaboração do cardápio por nutricionistas, pensado de acordo com as necessidades nutricionais de cada faixa etária, até a preparação das 17 mil refeições diárias para os 11 mil alunos da rede municipal de ensino e instituições filantrópicas.

Recentemente, as conselheiras do Conselho de Alimentação Escolar (CAE) de Cambé estiveram em Brasília para representar o município e receber o Prêmio CAE de Participação Social. A premiação destacou o projeto “I Encontro com o CAE: diálogo com as famílias sobre seletividade alimentar”, uma iniciativa que aproximou famílias, escola e comunidade para discutir a importância da alimentação saudável na infância e estratégias para o enfrentamento da seletividade alimentar.

HÁBITOS ALIMENTARES SAUDÁVEIS

Segundo a Secretaria Municipal de Educação e Cultura, o projeto nasceu a partir do trabalho desenvolvido pelo CAE durante as visitas às unidades escolares. Ao acompanhar de perto a alimentação oferecida aos estudantes e a realidade das famílias, o Conselho identificou a necessidade de ampliar o diálogo sobre hábitos alimentares saudáveis, levando informações e orientações que pudessem contribuir tanto no ambiente escolar quanto no familiar.

A ação, que se tornou premiada, foi realizada no Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Nelson Florêncio Pizaia. Durante o encontro, pais e responsáveis participaram de um momento de conversa com nutricionistas da rede municipal sobre seletividade alimentar e construção de hábitos saudáveis na infância. Em seguida, famílias e crianças participaram de uma atividade prática e lúdica, preparando pratos utilizando frutas presentes no cardápio escolar, demonstrando como a apresentação dos alimentos pode influenciar positivamente sua aceitação.

A ação premiada foi realizada no Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Nelson Florêncio Pizaia onde foi feita um atividade lúdica com pratos de frutas
A ação premiada foi realizada no Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Nelson Florêncio Pizaia onde foi feita um atividade lúdica com pratos de frutas | Foto: Divulgação

Para uma das nutricionistas da Secretaria Municipal de Educação e Cultura, Bárbara Nascimento, a conquista do prêmio reflete o compromisso de Cambé com a qualidade da alimentação escolar. A profissional ressalta que hoje busca-se oferecer diariamente refeições equilibradas, seguras e nutritivas, com a presença de frutas, verduras, legumes, cereais, feijões, carnes, leite e derivados, priorizando alimentos in natura e minimamente processados. Para ela, além de garantir o aporte nutricional necessário para o crescimento e desenvolvimento das crianças, a alimentação escolar tem o objetivo de promover hábitos alimentares saudáveis que possam ser levados para a vida toda.

“Mais do que servir refeições, a alimentação escolar em Cambé é entendida como uma ferramenta de educação. Por meio de ações de Educação Alimentar e Nutricional, as crianças são incentivadas a experimentar novos alimentos, conhecer diferentes sabores e compreender a importância de uma alimentação variada e equilibrada. O trabalho conjunto entre nutricionistas, equipes escolares, manipuladoras de alimentos, gestores, famílias e o CAE fortalece esse processo e contribui para que a escola seja um espaço de promoção da saúde e da qualidade de vida”, destacou.

A merenda escolar prioriza alimentos in natura e minimamente processados
A merenda escolar prioriza alimentos in natura e minimamente processados | Foto: Divulgação

CONSELHO PRESENTE

Para as famílias a ação é essencial porque aborda uma realidade direta das famílias. “Muitas crianças têm dificuldade com textura, cheiro, cor e o sabor do alimento, o que transforma a alimentação num grande desafio para toda a família. Durante as atividades, buscamos orientar os pais, os educadores e as crianças, além de promover uma experiência prática e lúdica. As crianças participaram ativamente da montagem de pratos, explorando alimentos de forma leve e acolhedora. A informação, a orientação e o trabalho em conjunto com as famílias e escolas, com uma equipe multidisciplinar, são fundamentais para promover mais qualidade de vida, autonomia e inclusão das crianças,” diz a nutricionista.

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Para Ângela Melo, assessora pedagógica de geografia e ciências naturais da Secretaria de Educação e Cultura, e representante da Prefeitura na premiação, a conquista premia a atuação do Conselho e a participação dos profissionais na elaboração de uma merenda de qualidade e de ações que aproximam as crianças de hábitos mais saudáveis. “É muito emocionante. Estar entre 25 ações em todo o Brasil, apenas cinco na região, em um projeto que de fato alcançou famílias que precisavam dessas informações nutricionais. Muitas pessoas não sabem quão importante é a mastigação, a ingestão do alimento em pedaços das frutas, entre outras coisas. Além da união das famílias nas atividades, das crianças montando os pratos de frutas com os pais de forma divertida e saudável. A sensação é muito boa”, declarou Melo.

INCLUSÃO DE PEIXE

De modo planejado e, pensando na atribuição de mais nutrientes, na educação alimentar e em uma refeição de qualidade, o próprio cardápio das escolas passa por constantes atualizações, como a inclusão do peixe. Hoje, segundo dados do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR), Cambé é o município, dos 19 da região, o que mais investe na compra de peixe para a merenda escolar. Só em maio foram servidos 800 quilos de pescado nas refeições.

A introdução do peixe na alimentação foi ampliada em 2026 para os Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs), num processo realizado de forma gradual e planejado
A introdução do peixe na alimentação foi ampliada em 2026 para os Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs), num processo realizado de forma gradual e planejado | Foto: Divulgação

Flávia Santos, que também é nutricionista da rede de educação, explica que a inclusão do peixe na merenda escolar representa uma estratégia para qualificar a alimentação oferecida aos estudantes. “O pescado é um alimento de alto valor nutricional, rico em proteínas, vitaminas, minerais e ômega-3. Nutrientes importantes para o crescimento, o desenvolvimento cognitivo, a memória e a aprendizagem das crianças”, disse.

A Secretaria iniciou a introdução do filé de tilápia em 2025, para os alunos do Ensino Fundamental, alcançando um índice de aceitabilidade de 73%. Em 2026, foi ampliada a oferta também para os Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs), em um processo realizado de forma gradual e planejado. Com isso, a frequência do pescado na merenda é ampliada, seguindo a aceitação das crianças, diversificando as preparações oferecidas, sempre com foco na saúde, no desenvolvimento e no bem-estar.

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