Sete escolas municipais de Londrina obtiveram os melhores resultados na alfabetização em 2024 e foram agraciadas com o prêmio Alfabetiza Juntos do governo estadual. As instituições premiadas foram: Leonor Maestri de Held, Carlos Dietz, João XXIII, Norman Prochet, Edmundo Odebrecht, Joaquim Pereira Mendes e Miguel Bespalhok.

A iniciativa é um desdobramento do programa Educa Juntos, em que a Secretaria de Estado da Educação (Seed) atua como parceira das redes municipais para melhorar os índices educacionais do Paraná desde os primeiros anos do ensino fundamental e reconhece os melhores resultados na Prova Paraná Mais. No Estado foram premiadas 300 escolas municipais de 154 municípios.

A premiação foi recebida com emoção pela equipe da Escola Municipal Leonor Maestri de Held, localizada na região Oeste. “É a sensação de que nosso trabalho pode transformar a trajetória das crianças, que é o que nos move todos os dias.”, disse Priscila Saraiva de Lima Gouveia, coordenadora pedagógica.

A turma do segundo ano de 2024 da Escola Leonor Maestri de Held foi uma das que receberam o prêmio Alfabetiza Juntos
A turma do segundo ano de 2024 da Escola Leonor Maestri de Held foi uma das que receberam o prêmio Alfabetiza Juntos | Foto: Divulgação

Priscila explicou que a adesão ao programa aconteceu por meio da formação continuada oferecida aos professores pelo Estado. “Ela [professora do 2º ano] participava dessas formações com orientações para implementar os conteúdos do material do Educar Juntos e aprender como trabalhar com os alunos. Recebemos o material em formato de apostilas e ela as aplicava em sala de aula com essa turma.”

A metodologia proposta pelo programa já dialogava com práticas desenvolvidas pela escola, o que facilitou sua incorporação ao cotidiano pedagógico. “Em algumas situações, a professora já trabalhava com propostas semelhantes. Durante a formação, ela podia dividir essas práticas com professores de todo o Paraná, compartilhando o que já havia sido aplicado”, disse a coordenadora.

O programa funcionou como um complemento às ações já realizadas pela equipe escolar. O material do Educar Juntos passou a integrar o planejamento pedagógico sem substituir outros recursos didáticos. A utilização das apostilas foi adaptada ao currículo previsto para cada trimestre.

O acompanhamento da aprendizagem foi realizado de forma contínua, envolvendo avaliações internas, monitoramento individual da leitura e participação dos estudantes na Prova Paraná Mais.

“Acompanhávamos os alunos através do perfil da turma e de maneira individual. Isso era feito por meio da leitura individual entre professor e aluno, dados que nós tabulamos, e pelas avaliações internas trimestrais. Além disso, em dois momentos, o Estado enviou a avaliação de larga escala, que é a Prova Paraná”, contou a coordenadora.

PARTICIPAÇÂO DAS FAMÍLIAS

Além das ações em sala de aula, a escola também investiu no fortalecimento da participação das famílias no processo de formação leitora das crianças. A escola desenvolveu ações como empréstimos semanais de livros, visitas à biblioteca, contação de histórias e atividades de leitura em casa.

Semanalmente, os alunos levam um caderno de leitura com um texto de gênero textual diferente. Eles têm uma semana para treinar a leitura e a interpretação com a família em casa. “A professora solicita a leitura em sala de diversas formas: usando o ‘sussurrofone’, microfones, leitura para a sala ou declamação coletiva, visando treinar a fluência leitora. Também temos a leitura em capítulos, onde todos leem o mesmo livro juntos, como ‘O Pequeno Príncipe’, lendo uma página por dia”, revela Priscila.

Segundo a coordenadora, o envolvimento familiar gerou reflexos positivos também fora da escola. “Os pais dessa turma, em específico, são muito participativos. Na época da festa junina, por exemplo, eles ajudaram a montar um cordel com ideias trazidas de casa. Percebemos que as famílias passaram a adquirir livros e as crianças liam materiais trazidos de casa em momentos ociosos na sala de aula. Notamos claramente a participação e o desenvolvimento de um perfil leitor nas famílias.”

Margarida Cândida Silva Lopes, diretora da Escola Norman Prochet, na zona Sul da cidade, também comemorou a premiação: "A conquista reflete um trabalho contínuo e planejado, desenvolvido desde a Educação Infantil até o 5º ano, por meio de práticas diversificadas de leitura e escrita, projetos literários, contações de histórias, utilização da biblioteca escolar, cantinhos de leitura e ações que incentivam o contato diário e prazeroso com os livros."

Na Escola Norman Prochet, o resultado é comemorado como conquista de um trabalho contínuo desenvolvido desde a Educação Infantil até o 5º ano
Na Escola Norman Prochet, o resultado é comemorado como conquista de um trabalho contínuo desenvolvido desde a Educação Infantil até o 5º ano | Foto: Divulgação

Ela complementa : "Neste contexto, o recebimento dos Chromebooks - notebooks rápidos que operam com o sistema ChromeOS do Google - e headsets - que combinam fones de ouvido e um microfone em um único dispositivo - representa um importante investimento para o fortalecimento das práticas pedagógicas já desenvolvidas pela escola. Esses recursos tecnológicos ampliam as oportunidades de aprendizagem, possibilitando o acesso a plataformas educacionais, atividades interativas de leitura e escrita, desenvolvimento da consciência fonológica, escuta qualificada, fluência leitora e acompanhamento individualizado dos estudantes."

EXCELÊNCIA NA ZONA RURAL

A Escola Municipal Edmundo Odebrecht, localizada no Distrito da Warta, foi a única instituição de ensino da área rural de Londrina premiada no Alfabetiza Juntos. De acordo com a coordenação pedagógica, a metodologia proposta pelo Educa Juntos serviu para fortalecer e complementar ações que já faziam parte da rotina escolar.

“Fizemos orientações nos momentos de planejamento, dando sugestões para complementar o trabalho que já era realizado pelos professores, pois os materiais afirmavam aquilo que já era prática em nossa escola”, afirmou Rosilda Ferraz Magnani, coordenadora pedagógica da escola.

Segundo ela, a escola acompanha o desenvolvimento dos estudos de forma sistemática ao longo do ano letivo, utilizando instrumentos próprios para monitorar os avanços na alfabetização, permitindo intervenções pedagógicas sempre que necessário.

“Temos perfis de turmas que nos mostram os níveis de escrita e de fluência leitora de nossos alunos, que são realizados a cada dois meses e, em 2024, fazíamos mensalmente. Isso nos ajuda a acompanhar a evolução da criança na alfabetização e propor intervenções significativas”, explicou Rosilda.

A Escola Municipal Edmundo Odebrecht, localizada no Distrito da Warta, foi a única instituição de ensino da área rural de Londrina premiada
A Escola Municipal Edmundo Odebrecht, localizada no Distrito da Warta, foi a única instituição de ensino da área rural de Londrina premiada | Foto: Divulgação

Além da análise coletiva das turmas, o monitoramento individual dos estudantes é uma prática permanente da escola. “Monitoramos todos os alunos por meio do perfil de turmas, que é realizado ao longo de todo o ano letivo, além das intervenções diárias que os regentes fazem para que nenhuma criança passe despercebida.”

A equipe pedagógica enfatiza a relevância das formações continuadas oferecidas pelo programa Educa Juntos. Segundo os professores, os encontros possibilitaram a troca de experiências entre educadores e contribuíram para a implementação de novas estratégias em sala de aula. “As formações foram significativas, havia muita troca de informações pelos professores e as orientações recebidas nas formações foram transformadas em práticas de sala de aula”, disse a coordenadora.

A participação das famílias também teve papel fundamental no processo de alfabetização. Uma das principais ações foi o projeto “Ler é Bom Demais”, desenvolvido com estudantes do 1º ao 5º ano.

Leia mais:

Os alunos recebem um texto por semana para treinarem a leitura em casa com a família e depois lerem para um professor na escola. “Neste projeto procuramos variar o gênero textual, cronometrar o tempo de leitura, observar a precisão, a prosódia e a entonação, além da interpretação, dando significado.”

A escola também desenvolveu ações lúdicas para incentivar o hábito da leitura entre as crianças. “Especificamente em 2024, as crianças liam utilizando microfone para os demais alunos nos momentos de entrada como forma de incentivo à leitura; confeccionamos o sussurrofone para todos os alunos com o objetivo de auxiliar na pronúncia e articulação das palavras, permitindo que a criança ouvisse a própria voz e fizesse autocorreções. Neste mesmo ano, criamos o Leiturômetro, que era um medidor de leitura onde as crianças registravam cada livro lido ao longo do ano letivo”, contou Rosilda.

PARTICIPAÇÃO DAS FAMÍLIAS

O envolvimento das famílias foi estimulado por meio de reuniões e ações de orientação sobre os projetos desenvolvidos pela escola. Para a comunidade escolar, o reconhecimento recebido por meio do Prêmio Alfabetiza Juntos representa a valorização de um trabalho construído coletivamente por professores, equipe pedagógica, funcionários e famílias.

mockup