HQ e tecnologia na alfabetização da rede municipal de ensino
Projeto integra tecnologias digitais ao processo de alfabetização significativa por meio da leitura, interpretação e escrita
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 11 de agosto de 2026
Projeto integra tecnologias digitais ao processo de alfabetização significativa por meio da leitura, interpretação e escrita

Iniciativas desenvolvidas com planejamento e comprometidas com a formação de cidadãos integram o cotidiano dos educadores da Secretaria Municipal de Educação em Londrina. De modo dinâmico e inclusivo, professores transformam as salas de aula em ambientes de diálogo, transmissão de conhecimento e também de acolhimento.
O projeto "Direitos que Inspiram Histórias" foi desenvolvido pela professora Francielle Goulart Pereira com 45 alunos do 2º ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal Cecília Hermínia Oliveira Gonçalves, é exemplo desta dedicação.
De acordo com a professora, o tema escolhido foi os direitos das crianças e dos adolescentes, fundamentado no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Após estudos, rodas de conversa e atividades de leitura, os estudantes produziram histórias em quadrinhos digitais utilizando tablets e o editor Make Beliefs Comix - site em inglês para criação de histórias em quadrinhos, um recurso educacional para crianças.
Mesmo sendo em inglês, o editor é de fácil utilização e proporciona o desenvolvimento das seguintes habilidades: sequenciar fatos para contar uma história, usando personagens e diálogos; sintetizar ideias, usando apenas os detalhes mais importantes para a elaboração da história; selecionar personagens, sentimentos e emoções necessários para expressar suas ideias através de história; compreender e aplicar como os sentimentos e emoções são expressados por meio dos quadrinhos; identificar a ideia principal da história; atuar como autores on-line, tendo um propósito real para a escrita.

A proposta fez parte da pesquisa de mestrado da docente, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Metodologias para o Ensino de Linguagens e suas Tecnologias, da Universidade Norte do Paraná (UNOPAR). O estudo foi previamente aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), respeitando todos os procedimentos éticos previstos para pesquisas dessa natureza, incluindo a autorização das famílias e da instituição escolar. Durante a realização da pesquisa, atuou simultaneamente como professora da turma e pesquisadora, sob a orientação da Prof.ª Dr.ª Odete Sidericoudes.
Pereira explica que todo o projeto foi desenvolvido ao longo de cinco semanas, contemplando cinco aulas de 120 minutos cada, sendo realizada uma aula semanal. "Esse formato possibilitou que os estudantes vivenciassem todas as etapas da proposta com tempo para reflexão, produção, revisão e socialização das atividades".
A iniciativa teve como objetivo integrar as tecnologias digitais ao processo de alfabetização de forma significativa, articulando leitura, escrita e cidadania. Durante o desenvolvimento do projeto, as crianças participaram de atividades de leitura, interpretação, produção textual, planejamento das histórias, criação dos personagens e elaboração dos diálogos. Todo o processo foi mediado pedagogicamente, incentivando a criatividade, a colaboração entre os colegas e o protagonismo dos estudantes.
Ainda segundo a mestranda, a experiência evidenciou que, quando utilizadas com intencionalidade pedagógica, as tecnologias digitais podem contribuir de forma efetiva para o desenvolvimento da alfabetização dos multiletramentos e da formação cidadã nos anos iniciais do Ensino Fundamental.
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TECNOLOGIA E ALFABETIZAÇÃO INTEGRADOS
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) articula alfabetização e letramento integrando a cultura digital de forma transversal. O documento propõe que o uso das tecnologias vá além do manuseio de telas, promovendo a leitura crítica, a autoria e a participação ética em ambientes digitais desde os anos iniciais.
Na educação, as tecnologias têm sido incorporadas às práticas docentes como meio para promover aprendizagens mais significativas, com o objetivo de apoiar os professores na implementação de metodologias de ensino ativas, alinhando o processo de ensino-aprendizagem à realidade dos estudantes e despertando maior interesse e engajamento dos alunos em todas as etapas da Educação Básica.
Os resultados foram bastante positivos. "Observamos avanços no processo de alfabetização, especialmente na leitura e na escrita, na organização das ideias, no uso da pontuação, na relação entre texto e imagem e na construção de narrativas. Também houve fortalecimento da autoria, da criatividade, do pensamento crítico, da colaboração e da consciência cidadã, além de maior envolvimento dos estudantes com as atividades propostas", narra.
Outro ponto relevante deste trabalho foi a interatividade entre os estudantes. "A interação da turma foi muito significativa. As crianças demonstraram entusiasmo desde o início do projeto, participaram ativamente das discussões, colaboraram entre si na construção das histórias e ficaram motivadas ao perceber que eram capazes de criar suas próprias histórias em quadrinhos digitais", ratifica.

ATUAÇÃO DOS PROFESSORES
No entendimento da vice-diretora da E.M Cecília Hermínia Oliveira Gonçalves, Regiane Elisa Fumegali, a atuação de todos os professores da unidade é uma referência de produtividade e dedicação para com alunos e a educação como um todo. "As práticas pedagógicas desenvolvidas por todos os professores são admiráveis, sobretudo pela capacidade em despertar o interesse dos alunos. Diante dos desafios e com bastante esforço, os professores conseguem levar brilhos aos olhos dos que estão aprendendo e isso é muito rico", alegra-se.
Com 523 alunos em dois períodos e 22 turmas turmas, a equipe da unidade tem como diretora a educadora Maria Izabel Morais Batista Barboza. As coordenadoras pedagógicas são as educadoras Sandra Padovani e Simoni Bolotaro e a secretária é Silvia Aparecida Bolotaro Rodrigues.
Em atividade desde 1988, a escola já recebe alunos que compõem a terceira geração da família e o vínculo de respeito da comunidade com a escola é uma realidade. "Sabemos que muitos professores dedicam a a maior parte de seu tempo no trabalho, assim como é de grande relevância o período em que os estudantes permanecem em estudos, por isso, no dia a dia, temos uma clima agradável, ouvimos de quem nos visita o quanto a nossa escola é bonita e tudo isso contribui para o ensino e o aprendizado, destaca a vice-diretora Regiane Elisa Fumegali.


Walkiria Vieira
Repórter de Cultura, Educação e temas sociais.





