Escolas da rede municipal integram feira de inovação em Londrina
Evento oferece ambiente de troca de experiências, criatividade e incentivo à investigação científica desde a infância
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sábado, 10 de outubro de 2026
Evento oferece ambiente de troca de experiências, criatividade e incentivo à investigação científica desde a infância

A pesquisa científica na educação tem papel relevante ao transformar o aprendizado em um processo ativo de investigação de modo prático. Cientes dessa realidade, estudantes da rede municipal foram invenivados a inscrever seus projetos na FITEC 2026 – Feira de Inovação, Tecnologia e Ciência, categoria kids. Com êxito, 26 escolas unidades ficaram entre os finalistas. Participaram 38 trabalhos e, como forma de reconhecimento pela participação, todos os expositores da categoria FITEC Kids receberam medalhas durante a cerimônia oficial de premiação e certificado on-line. A etapa presencial foi realizada neste sábado (10) no Pavilhão Internacional do Parque Governador Ney Braga.
Realizada pelo Instituto Trilhar, a FITEC Kids integra a 25ª FITEC, feira científica voltada à disseminação e socialização de projetos de iniciação científica desenvolvidos por estudantes da Educação Básica. A iniciativa busca aproximar os estudantes do universo científico, estimular a pesquisa, a criatividade e a inovação e incentivar a criação de soluções para problemas reais.
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CONHECIMENTO EM CONSTRUÇÃO
Com o projeto "Da Gota ao Byte", o ciclo da água sob o olhar da inteligência artificial e das mídias de conscientização, os alunos Beatriz, Isabela Pilan, Isabela Silva, Lucas e Rebeca da Escola Municipal Nina Gardemann, sob orientação da professora Mônica Bossa dos Santos propuseram: "Como podemos perceber se um ecossistema fechado está saudável e o que a tecnologia nos ajuda a descobrir sobre ele?". Pautada na abordagem metodológica do Design Thinking.
De acordo com a orientadora, o projeto apresenta uma jornada de investigação científica transdisciplinar desenvolvida por estudantes do 5º ano do Ensino Fundamental I, integrando conceitos de ecossistema, tecnologia digital e responsabilidade socioambiental. "Como hipótese inicial, os alunos previram que o ambiente fechado se manteria vivo sozinho. Eles ficaram curiosos para ver o ciclo da água acontecendo dentro dele e pensaram que a tecnologia poderia facilitar a leitura de sinais de equilíbrio ou desgaste na natureza", explicou.

Santos apontou que os estudantes ficaram curiosos para ver o ciclo da água acontecendo dentro dele e pensaram que a tecnologia poderia facilitar a leitura de sinais de equilíbrio ou desgaste na natureza. "Com o objetivo de analisar essa dinâmica de forma controlada, os alunos construíram terrários fechados e realizaram um monitoramento cronológico documentado em seus diários de bordo. O diferencial tecnológico e inovador da proposta consistiu na introdução de ferramentas de Inteligência Artificial (IA) de forma acessível, auxiliando as crianças a verificarem e compreenderem os indicadores de saúde e estabilidade do ecossistema construído", esclareceu.
SOLUÇÕES PARA UM PROBLEMA NO PÁTIO
Alunos da Escola Municipal Sônia Parreira Debei participaram da feira com o projeto: "Um problema no pátio, diferentes soluções: investigando área, custos e reaproveitamento da água." Ana Clara, Bianca, Gabriel, Laura e Luiz Miguel foram orientados pela professora Adriane Furlan Murta e Daniela Neves da Silva. "O projeto surgiu de uma situação vivenciada pelos alunos no pátio da escola. Mesmo sem ter chovido durante a noite, o espaço estava molhado, o que despertou a curiosidade da turma: “Se não choveu, de onde veio a água que molhou o pátio?”, explica a orientadora. A partir dessa pergunta, os alunos levantaram hipóteses e começaram a investigar.
Com o avanço do trabalho, surgiram outras questões: de onde vem essa água, como resolver o problema, quanto material será necessário, qual será o custo e se essa água poderá ser reaproveitada. "Durante esse percurso, a Matemática foi utilizada para medir, calcular, comparar dados e ajudar na escolha de uma solução, conforme a perspectiva de Modelagem Matemática apresentada por Almeida, Silva e Vertuan (2012)".

A investigação permitiu aos alunos analisar as hipóteses levantadas e compreender melhor a presença de água no pátio. A partir das medições e da pesquisa de materiais e preços, foi possível comparar diferentes alternativas para o problema. "A escolha da solução levou em conta as medidas, os custos, os materiais e a possibilidade de reaproveitar a água na cisterna da escola", esclarece a orientadora. Os cálculos realizados tiveram uma finalidade dentro da própria investigação: ajudar a turma a analisar as possibilidades e tomar uma decisão. Ao final, os alunos organizaram a proposta escolhida e apresentaram à direção da escola o caminho percorrido durante a investigação.
EDUCAÇÃO PARA O PENSAR
Biólogo e doutor em ciências biológicas, Felipe dos Santos Machado Pereira é presidente do Instituto Triliar. Ele explica que a FITEC deixou de ser uma feira de ciências de escola e passou a ser um movimento maior. " São estudantes de todo o Brasil, recebemos inscrições de mais de 400 projetos. Receber os estudantes das escolas municipais é muito importante pois a pesquisa científica tem uma papel fundamental na formação dos estudantes - sobretudo por seu papel de fazer pensar", pontuou.
Os educadores ambientais do projeto Expedição do Conhecimento Chislene Branção Marchiori, Kliszilla Avila e Fabricio Vilela de Araujo trabalharam no evento a bordo de uma carreta cheia de atrativos de informações. Na programação da Fitec, os alunos aprenderam que a harpia, ave que compõe o brasão do Paraná está ameaçada de extinção Os educadores consideram relevante que esse assunto seja tema de estudos. "Aqui os estudantes reforçam o conhecimento de que uma coisa depende da outra e nós precisamos que tudo esteja funcionando bem, pois já estamos vivendo as consequências do desmatamento, poluição, muitos fatores que nós seres humanos estamos influenciando na natureza e agora infelizmente as consequências estão presentes na rotina de todos", informaram. A Expedição do Conhecimento é um projeto itinerante de educação ambiental, ciência e inovação desenvolvido pela Itaipu Binacional em parceria com o Itaipu Parquetec.

As 26 escolas municipais finalistas são: Maria Carmelita Vilela Magalhães, Noêmia Alaver Garcia Malanga, Sônia Parreira Debei, Armando Rosário Castelo, Arthur Thomas, Aristeu dos Santos Ribas, Maestro Andréa Nuzzi, América Sabino Coimbra, Santos Dumont, Irene Aparecida da Silva, Elias Kauam, Professora Ruth Lemos, Nina Gardemann, Suely Ideriha, Mábio Gonçalves Palhano, Maestro Roberto Pereira Panico, Roberto Alves Lima Junior, Vilma Rodrigues Romero, Professora Tereza Canhadas Bertan, Professor Moacyr Teixeira, Zumbi dos Palmares, Anita Garibaldi, Nair Auzi Cordeiro, João XXIII, Salim Aboriham e Maria Tereza Meleiro Amâncio.
EXPERIMENTAÇÃO E INOVAÇÃO
Em 2026, as turmas de 5º ano também começaram a registrar as avaliações de leitura em formulário digital, permitindo gerar gráficos para acompanhamento dos professores. A equipe gestora estuda ainda utilizar o site da unidade para reunir os resultados e permitir que os docentes acompanhem o desempenho da escola em tempo real.
Voltada aos estudantes mais novos, a FITEC Kids procura transformar a investigação em uma experiência de aprendizagem. “A FITEC Kids corresponde à categoria destinada à Educação Infantil e aos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, do 1º ao 5º ano, buscando proporcionar um ambiente de troca de experiências, criatividade e incentivo à investigação científica desde a infância”, explicou a professora Mirella Cito Botti, do Apoio Pedagógico de Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação em Educação da Secretaria Municipal de Educação (SME).
Para incentivar a participação das unidades municipais, a SME desenvolveu uma ação complementar que incluiu auxílio às escolas nas inscrições, rede de apoio pedagógico e disponibilização de materiais orientadores. Mirella destacou que a proposta também pode contribuir para mudanças na maneira como os estudantes se relacionam com o conhecimento. “A iniciativa busca fomentar a cultura investigativa no ambiente escolar, promover a apropriação da metodologia científica e estimular o pensamento crítico, a criatividade e a inovação”, afirmou.

Na seleção dos trabalhos, o caráter investigativo é um dos aspectos considerados. Os projetos precisam apresentar caráter investigativo, experimental ou de inovação e aplicar a metodologia científica. As propostas são avaliadas pelo Comitê de Revisão Científica (CRC), que considera aspectos como coerência entre objetivos e metodologia, clareza, originalidade, relevância, impacto social, aprofundamento teórico e adequação das referências bibliográficas.
Além da investigação, a FITEC Kids valoriza a participação dos estudantes na construção do conhecimento científico. Entre os princípios da categoria estão a inclusão, a diversidade, a equidade e o protagonismo dos alunos. Durante a etapa presencial, os trabalhos poderão ser apresentados com Diário de Bordo, pôster ou banner científico, Relatório de Pesquisa, protótipos, modelos, maquetes e outros recursos que auxiliem na compreensão das pesquisas.


Walkiria Vieira
Repórter de Cultura, Educação e temas sociais.





