Escola Municipal aproxima o ensino da Matemática do cotidiano
Ensino vai além da memorização de fórmulas, facilitando a aprendizagem na Escola Municipal Leonor Maestri de Held
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 25 de agosto de 2026
Ensino vai além da memorização de fórmulas, facilitando a aprendizagem na Escola Municipal Leonor Maestri de Held

Implementado na Escola Municipal Leonor Maestri de Held (Jardim Santa Rita), o Projeto Matematicando nasceu de uma ideia do professor Éricson Junior Moreira Molina para suprir a necessidade de potencializar e ampliar o trabalho pedagógico já desenvolvido na área da Matemática, buscando dar maior intencionalidade às práticas de ensino e aprendizagem. Em um contexto no qual o município e a escola já desenvolvem práticas pedagógicas reconhecidas por meio de projetos consolidados, especialmente aqueles voltados à leitura e à escrita, que contribuem significativamente para o desenvolvimento dos estudantes, o Matematicando é sucesso.
De acordo com as coordenadoras da Escola Leonor Maestri de Held, Meire Aparecida Augusto da Silva e Priscila Saraiva de Lima Gouveia, graças às contribuições do projeto, o ensino da Matemática na escola ganhou novos significados ao aproximar conceitos científicos das situações concretas do cotidiano dos estudantes da Educação Infantil e anos iniciais do Ensino Fundamental, propondo uma forma de aprender Matemática que vai além da memorização de fórmulas e procedimentos.
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Nessa perspectiva, as professoras relatam que foram delineados objetivos orientados para uma aprendizagem que contemple os fundamentos históricos e científicos da Matemática, compreendendo-a como uma construção humana historicamente produzida em resposta às necessidades concretas da vida social e, portanto, como um conhecimento que se desenvolve em estreita relação com as práticas e demandas da sociedade.
Do ponto de vista das coordenadoras houve um desenvolvimento significativo na forma como os estudantes compreendem e se relacionam com a Matemática. "As atividades são planejadas a partir de situações concretas e socialmente significativas, com o propósito de evidenciar que o conhecimento matemático não se restringe ao espaço escolar, mas está presente nas diferentes situações do cotidiano. Nesse processo, os alunos são desafiados a interpretar situações, identificar relações, levantar estratégias e mobilizar o raciocínio lógico-matemático para encontrar soluções", explica.
A unidade escolar tem como diretor Valteir Aparecido Bazzoni Junior e a secretária é Vanessa Garcia Escanes.

MEDIDAS DO AÇÚCAR
Um exemplo desse trabalho foi a atividade “Quanto açúcar tem isso?”, desenvolvida com as turmas de 4º e 5º ano, onde qual os estudantes investigaram a quantidade de açúcar adicionado em diferentes bebidas a partir de informações presentes em seus rótulos. A proposta possibilitou mobilizar conhecimentos relacionados às frações, medidas, quantidades e proporcionalidade, ao mesmo tempo em que favoreceu a reflexão sobre uma situação presente no cotidiano dos próprios alunos.
Ao longo do desenvolvimento do projeto, os professores notaram que os estudantes vêm ampliando progressivamente essa compreensão. Além de reconhecerem a presença da Matemática nas situações propostas em sala de aula, passaram a estabelecer, espontaneamente, relações com experiências vivenciadas fora da escola, trazendo novos exemplos e situações concretas para discussão. "Esse movimento evidencia uma apropriação mais significativa dos conhecimentos matemáticos, que passam a ser compreendidos não apenas como conteúdos escolares, mas como instrumentos para interpretar, analisar e intervir na realidade", pontua.

Assim, de modo lúdico e didático, o interesse pela disciplina despertou ainda mais. Uma das propostas utilizou uma “botina que ensinou tabuada”, inspirada na literatura e integrada a uma brincadeira que mobilizou fantasia e imaginação. A atividade buscou ressignificar a tabuada, mostrando que a multiplicação não é apenas um conteúdo escolar, mas um conhecimento presente em diferentes situações do cotidiano. Na prática, após explorar as possibilidades das brincadeiras, são realizadas atividades de sistematização e registro escrito, considerando que a aprendizagem ocorre por diferentes caminhos. "Assim, o projeto articula ludicidade, exploração, reflexão e registro, garantindo que as experiências vivenciadas sejam também organizadas e sistematizadas pelos estudantes", consideram as coordenadoras.
MATEMÁTICA NO BAILE
No 1º e 2º ano, a proposta “Baile Encantado da Cinderela” mobilizou conhecimentos relacionados ao sistema de numeração decimal e à subtração, envolvendo as ideias de comparar e completar. "Para ajudar Cinderela a organizar o baile, os estudantes precisaram solucionar diferentes desafios e problemas desencadeadores, mobilizando o raciocínio matemático de forma contextualizada. Problemas desencadeadores são desafios que colocam os estudantes diante de uma situação que precisa ser resolvida, despertando a necessidade de utilizar e construir conhecimentos matemáticos para encontrar uma solução", detalha.
Assim, o lúdico e a fantasia foram elementos centrais da proposta. As crianças foram tomadas pela narrativa e assumiram o papel de ajudar Cinderela a resolver situações que aconteciam antes, durante e depois do baile. Para tornar essa experiência mais significativa, foram construídos cenários, convites e palitoches, criando um contexto no qual os conhecimentos matemáticos eram mobilizados de forma concreta e imaginativa. Nesse percurso, habilidades de leitura e escrita também estiveram presentes, mantendo a Matemática como eixo central da proposta.

A partir dessas experiências, os conhecimentos foram generalizados para situações do cotidiano da própria sala de aula. Por exemplo: “Hoje temos 14 meninos e 9 meninas. Quantos meninos há a mais? Quantas meninas há a menos? Quantos estudantes temos ao todo?” Dessa forma, os alunos começam a perceber que a Matemática está presente nas situações que vivenciam diariamente e pode ser utilizada para compreendê-las e solucioná-las, utilizando a correspondência termo a termo (um a um), um procedimento fundamental na história da Matemática, por meio do qual os seres humanos, antes da criação dos números e dos sistemas de numeração, já conseguiam controlar, comparar e acompanhar variações nas quantidades.


Walkiria Vieira
Repórter de Cultura, Educação e temas sociais.





