Rosane Araújo faz uma galeria a céu aberto em Londrina
Artista londrinense deixa sua marca nas ruas e praças da cidade, onde seus mosaicos surpreendem o olhar de quem passa
PUBLICAÇÃO
sábado, 15 de novembro de 2025
Artista londrinense deixa sua marca nas ruas e praças da cidade, onde seus mosaicos surpreendem o olhar de quem passa

Os 110 mosaicos em postes, 20 murais e seis composições em escadas permitem afirmar que há uma galeria de artes a céu aberto em Londrina. Há mandalas em postes, calçadas e, quem vai ou vem, nota um colorido que rompe o cotidiano sisudo da urbe. No meio do caminho, entre desencontros e deadlines, há um mosaico da artista londrinense Rosane Araújo para admirar - @rosane.araujo.mosaico.
Há 14 anos, a servidora pública aposentada dedica parte de sua rotina a preencher vazios. Onde cabe a sua arte, de modo delicado e criativo, dá nova identidade a vias, praças e áreas de lazer. Para o pedestre que aguarda a abertura de um dos semáforos da Ayrton Senna, há um buquê de flores para contemplar - sem estresse.
Todos os dias, é possível ver a arte de Rosane, eles estão em toda a parte, é só olhar.

UMA COISA PUXA OUTRA
Revitalizada há dois anos pela Prefeitura de Londrina, a Vila Marízia II, na região leste de Londrina, trouxe grande senso de pertencimento à população do bairro. Iniciadas em abril de 2023, as ações incluíram a implantação de pavimentação, iluminação em LED e calçadas com piso tátil, bem como de rede elétrica, galerias pluviais e rede de esgoto. Também foi efetuada a recuperação ambiental do fundo de vale que fica na região, acompanhada de serviços de paisagismo e plantio de árvores.
Com ânimo, os moradores sentiam que faltava algo e, por meio de uma representante, Sonia Lourenço, fizeram chegar à mosaicista o pedido para que instalasse, na placa que indicava a revitalização, a sua arte. Com cimento, cacos recortados com esmero e uma simplicidade invejável, ela foi lá e imprimiu seu trabalho.

Quando a mosaicista está em ação, um guarda-sol de praia improvisado é uma das formas de identificar a artista. Faz a sombra, atrai olhares, mas também críticas. Discreta, silenciosa e organizada, já ouviu de um transeunte: "Você está emporcalhando tudo", revela. Sem ira, cola os caquinhos, preenche o vazio e dá o melhor de si.
A obra na Vila Marízia II é exemplo da expansão dos mosaicos por Londrina. Eles também estão no Centro Social Urbano da Vila portuguesa, na avenida Maringá, no Aterro do Igapó, Igapó II, na rua Monte Castelo, na Humaitá, na Higienopólis, no Calçadão e na Concha Acústica, por exemplo.
Com doações de azulejos e parte do material, as instalações são realizadas. "No momento, estou finalizando um painel que vou colocar ali próximo da rua Quintino Bocaiúva. Tenho um projeto com a Funcart também", adianta.
COMEÇO, MEIO, ENFIM
Araújo considera que evoluiu. "Estou até revendo os meus trabalhos. O primeiro foi no Zerão, alguns ficaram bem feinhos. Daí fui melhorando e tive coragem de fazer a escada", lembra. "Desde que fiz o curso na A.Yoshii, a minha vontade era estar nas ruas, pois buscava a liberdade e, em certo momento da minha vida, queria desenolver uma arte que me colocasse na rua. O mosaico deu certinho", alegra-se.
Antes disso, conta que fazia outras técnicas de arte, como desenho, tela, barro. "Depois do curso, comecei a fazer sozinha. A técnica do uso de rede de vôlei para colar as peças eu aprendi com a minha amiga Bárbara. Vejo que melhorei, ganhei confiança e observo essa mudança nos cortes, nas cores e hoje me sinto mais livre para para fazer o vem na mente", diz.
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Ela conta que, com o tempo, algumas pessoas começaram procurá-la. "E vêm aqui em casa para aprenderem mosaico. Fiz novas amizades e os alunos da UEL, inclusive, tem escolhido o mosaico como tema de trabalhos e passam a tarde aqui testando alguns cortes no torquês, inclusive tem trabalhos de dois alunos aqui para eles terminarem", sorri.


Walkiria Vieira
Repórter de Cultura, Educação e temas sociais.





