Um dos mosaicos da artista plástica e jornalista Carina Paccola foi selecionado para a 9ª Bienal Internacional de Mosaico Contemporâneo de Ravenna, na Itália. "Nero in espansione" (2025), de sua autoria, é um dos 33 trabalhos expostos na Opere dal Mondo, na mostra organizada pela AIMC - Associazone Internazionale Mosaicisti Contemporanei.

Concorreram 59 artistas, de 24 países. Cada artista teve a chance de inscrever apenas um mosaico e Paccola é a única brasileira a integrar o evento. A Bienal teve início em 18 de outubro e vai até 18 de janeiro de 2026, a programação pode ser acessada neste site: http://www.aimcinternational.org/

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Feito de pedras brasileiras (turmalina negra, obsidiana, ônix, ágata preta, mármore), pasta vítrea e argamassa preta, o mosaico tem 50 x 40 cm e levou 30 dias para ser produzido. Suas camadas e texturas são convite à apreciação. Se a pedra e a madeira tornam a obra robusta e imponente, as peças diminuitas da margem inferior são pura delicadeza.

A interpretação é pessoal e livre. "O mundo pode ser bem melhor se as pessoas tiverem contato com a arte, tanto na produção como na apreciação", reflete a artista.

Com o mosaico "Nero in espansione", Carina Paccola concorreu com 59 artistas, de 24 países, e foi a única brasileira selecionada para integrar a mostra
Com o mosaico "Nero in espansione", Carina Paccola concorreu com 59 artistas, de 24 países, e foi a única brasileira selecionada para integrar a mostra | Foto: Divulgação

TRAJETÓRIA

Radicada em Curitiba desde 2018, a artista concedeu entrevista à FOLHA, onde trabalhou durante anos como jornalista, e relatou que ficou muito feliz com informação de que seu trabalho havia sido escolhido. "Lá, vendo o meu mosaico exposto pela primeira vez, ao lado de trabalhos de artistas de vários países, muitos de altíssima qualidade, me senti orgulhosa por fazer parte dessa mostra, importante para o mosaico contemporâneo. Vi que no Brasil também produzimos mosaico de qualidade, no mesmo nível de outros países. Isso me deixou feliz. Foi muito bom ver outras pessoas apreciando o meu trabalho. Isso também me incentiva a continuar produzindo", dividiu.

Seu interesse pela técnica se deu por meio de uma reportagem publicada na FOLHA. "Achei muito legal, mas pensei que seria algo muito difícil porque eu não me achava com habilidade para fazer nenhum trabalho manual. Logo depois, numa feirinha no Calçadão, vi uns mosaicos expostos e a informação sobre o curso da Regina Minto", lembra.

No curso, ela desenvolveu a técnica e produziu várias peças utilitárias, até que, em 2012, resolveu estudar Artes Visuais na UEL. Em 2018, mudou-se para Curitiba, estudou mosaico contemporâneo na Escola de Mosaico de Curitiba, com Bea Pereira - referência do mosaico contemporâneo no Brasil. "Comecei a frequentar o ateliê aos sábados e não parei mais. Como me aposentei há pouco mais de um ano passei a me dedicar à arte", expõe.

O termo "mosaico" vem do grego "mousaikón", relativo a musas. A técnica atingiu seu auge na época greco-romana e foi amplamente utilizada em igrejas e templos históricos, como a Basílica de São Pedro em Roma e a Igreja de São Marcos em Veneza. Na contemporaneidade, o mosaico foi retomado por artistas e designers, que o adaptaram para diferentes linguagens, do clássico ao moderno.

Satisfeita com a participação na mostra, Paccola considero que tem muito a aprender. "Isso pra mim é fascinante. Desde o início, senti que poderia fazer mosaico até o fim da minha vida e é muito bom ter essa possibilidade. Aprendo muito no ateliê e conhecer o trabalho de outros artistas, do passado e do presente, é muito legal. Estar em Ravenna, considerada a cidade do mosaico, foi uma experiência singular", explica.

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