O jornalista londrinense Ulisses Sawczuk acaba de publicar o livro de ficção "O Chip" (Kotter Editorial). "Uma distopia em tons tropicais, repleta de crítica social, ação e escrita ágil". Dessa forma, o autor apresenta sua obra - que se passa na República de Coqueiral, país repleto de desigualdades em um futuro próximo. O lançamento oficial em Londrina será na Livraria Olga, no dia 7 de março de 2026, às 11h. O livro também está à venda no site da Kotter Editorial.

Na trama de "O Chip", as personagens Custódio, Aparecido, Sandra e Marcos, tomadas por insatisfações e frustrações de diferentes naturezas, prendem a atenção do leitor. Após serem contatados por uma multinacional estrangeira, os quatro aceitam participar de testes com uma nova tecnologia que promete revolucionar suas vidas e ampliar seus horizontes.

O que eles não sabem, porém, é que essa jornada vai atirá-los no meio de um turbilhão envolvendo tensões sociais, intrigas políticas e muita violência. À medida que se adentra em Coqueiral, onde a história se passa, o leitor se depara com outras personagens como o autoritário presidente Régis Lanza, o calejado inspetor Rubens, o inescrupuloso executivo Richard Dalton e a cientista rebelde Raposa. "As intricadas tramas gradualmente se interconectam em uma narrativa permeada por temas como manipulação, opressão, exploração, resistência e luta", comenta o autor.

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INSPIRAÇÃO

Sawczuk conta que a primeira versão do livro foi escrita entre 2017 e 2018, e que o texto foi sendo editado e revisado ao longo dos anos. “A inspiração para O Chip veio de tendências que observei na época em que escrevi a versão original da história e que se reforçaram com o passar do tempo, como a escalada do autoritarismo no Brasil e no mundo. A história também aborda esse fetiche tecnológico em que vivemos, em que a tecnologia aparece como panaceia. É uma narrativa que discute o potencial ambíguo da tecnologia, que pode ser usada tanto para oprimir quanto para libertar”, sustenta.

Segundo o escritor, "O Chip" é uma produção literária que procura não só entreter, como também estimular a reflexão. “É uma contribuição para o debate sobre o tipo de sociedade em que vivemos, e sobre as possibilidades e desafios que temos à nossa frente”, convida o leitor.

Ulisses Sawczuk: lançamento oficial do livro será em 7 de março, em Londrina, mas ele já está à venda no site da Kotter Editorial
Ulisses Sawczuk: lançamento oficial do livro será em 7 de março, em Londrina, mas ele já está à venda no site da Kotter Editorial | Foto: Divulgação

SOBRE O AUTOR

Técnico de Planejamento e Pesquisa na área de Comunicação Social e Divulgação Científica do Ipea - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, Ulisses Sawczuk revela que apesar de esta ser sua primeira publicação, chegou a escrever outros romances, os quais considera os passos iniciais na técnica da escrita de ficção.

Acerca do período de criação e produção do livro, conta como escreveu a primeira versão da história:"Já tinha um “esqueleto” (notas e ideias bem sintéticas para os personagens e a trama) e, com base nele, produzi o romance, acrescentando mais detalhes e fazendo os desenvolvimentos necessários. Procurava escrever depois do trabalho todas as noites, em casa, e também aos fins do semana", esmiúça.

O escritor precisou de cerca de seis meses para escrever o primeiro rascunho. "Porém, logo depois de terminar acabei me mudando para a Holanda, onde fiz mestrado, e não toquei no livro até 2020, quando voltei ao Brasil. Nessa época, fiquei cerca de um mês editando o texto, removendo algumas passagens, alterando e acrescentando outras. Nos anos seguintes, fiz algumas edições pontuais até chegar ao momento em que achei que estava pronto para publicação. Fiz o envio à Kotter Editorial, que aceitou publicar e me ofereceu um contrato", afirma.

REFLEXÃO

Tão prazerosa quanto desafiadora, a obra pronta leva o autor a uma reflexão também, pois considera que a qualidade mais importante que um escritor deve ter para completar um trabalho extenso é a constância. "É preciso manter uma rotina e escrever um pouco todo dia ou, pelo menos, na maior parte dos dias. O maior desafio é sentar-se em frente ao computador para escrever. Porém, uma vez que você começa, as ideias vêm e o processo fica divertido e estimulante", pontua.

Satisfeito, adianta que está desenvolvendo algumas novas ideias e tem planos de publicar um segundo romance. "Dessa vez, no entanto, pretendo levar menos tempo entre o término do texto e a publicação. Talvez saia daqui a um ou dois anos", sorri.

Leitor e cinéfilo admirável, Sawczuk cresceu lendo as 'graphic novels' do Sandman, de Neil Gaiman, que o marcaram bastante, assim como o romance Deuses Americanos, também dele. "Essas duas obras misturam de maneira criativa elementos de mitologia e surrealismo em narrativas contemporâneas", divide.

O cinema também é uma grande paixão e influencia sua narrativa, sendo Kubrick e Fellini algumas de suas inspirações. Recentemente, concluiu a leitura de "O Som do Rugido da Onça", de Micheliny Verunschk. "É um livro que aborda de maneira poética e original a história trágica de duas crianças indígenas que foram levadas à força para a Europa no século XIX", conta.

No momento, duas obras tornam seu tempo mais proveitoso, ambos do autor londrinense Domingos Pellegrini, "Minhas Lembranças de Leminski" e o romance "Terra Vermelha."

"Como me mudei para Brasília há pouco tempo, para trabalhar para o Ipea, esses livros também são uma forma de me manter conectado a Londrina."

Feito desbravador, também admira os nomes clássicos da literatura brasileira como Machado de Assis e Clarice Lispector, que para si, retrataram a condição humana com originalidade, profundidade e perspicácia. Já a poesia de Paulo Leminski o atrai pela rebeldia, sofisticação e pela pegada anárquico-pop. "Aldous Huxley era um visionário que, com elegância, sarcasmo e erudição anteviu muito do nosso tempo com seu Admirável Mundo Novo", destaca.

SERVIÇO

O Chip

Autor: Ulisses Sawczuk

240 páginas

O lançamento oficial na Livraria Olga será no dia 7 de março de 2026, às 11h.

O livro também está à venda no site da Kotter Editorial

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