Em cartaz, 'Uma Mulher Diferente' aborda o autismo e o amor
Produção francesa, que estreia nesta quinta (30) em Londrina, traz uma personagem que só descobre ser portadora do autismo na vida adulta
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quinta-feira, 30 de outubro de 2025
Produção francesa, que estreia nesta quinta (30) em Londrina, traz uma personagem que só descobre ser portadora do autismo na vida adulta
Carlos Eduardo Lourenço Jorge/ Especial para a FOLHA 

Vários são os filmes em estreia na programação deste fim de semana, nas salas de Londrina. Os trunfos para o fim de ano festivo ainda estão contando os dias nas mangas de distribuidores e exibidores, esta nostálgica e sempre crente dupla corporativa à espreita de cada vez mais raros fenômenos de bilheteria.
No momento, há aqueles filmes da hora, como os nacionais “Assalto à Brasileira” e a cinebiografia do cartunista Maurício de Souza; e os acenos da animação japonesa para um público mais jovem. Não esquecendo que há uma ou outra conversa um tanto mais séria, para não perder de vista a ideia de que cinema tem sempre material mais consistente para tratar. Como a co-produção brasileira-europeia “O Agente Secreto”. Ou o ótimo “Uma Mulher Diferente” (a partir desta quinta (30), no Aurora, em Londrina) produção francesa na qual a personagem do título, Katia, somente na vida adulta descobre que tem o espectro do autismo.
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Lançado em junho na França, “Differénte” teve sua estreia brasileira no Festival do Rio, há duas semanas. A premiada diretora e roteirista Lola Doillon, optou pela comédia romântica e oferece um discurso delumbrante sobre as complexidades da vida de uma mulher que vive com autismo não diagnosticado. "Não gosto de mudar meus hábitos, sempre verifico as coisas mil vezes, não gosto muito de pessoas, sou muito direta, sou hipersensível à luz e aos sons, estou frequentemente exausta e não entendo humor sutil."
DESCOBERTA TARDIA
Para Katia, a personagem de trinta anos, o cotidiano, tanto pessoal quanto profissional, não é e nunca foi um passeio no parque. E com razão: essa jovem tem autismo, mas não sabe disso, porque sempre conseguiu, de alguma forma, se adaptar e mascarar o que os psicólogos têm consistentemente rotulado como depressão e ansiedade, algo que nenhum medicamento jamais conseguiu superar.
Katia Rousseau, uma pesquisadora brilhante com uma existência, especialmente amorosa, é um caos; mas quando começa a trabalhar numa nova produção, ela passa a descobrir como lidar com seus sentimentos. Pois só na vida adulta foi que Katia se descobriu autista, e o diagnóstico lhe é libertador, porque, finalmente, ela consegue compreender melhor a si mesma e dar forma aos seus sentimentos. Um encontro fortuito com alguns especialistas em autismo desperta nela o desejo de se aprofundar no assunto, e quando ela aprende sobre os sintomas do transtorno, que impactam a forma como as pessoas se comunicam e interagem com o ambiente, eles a tocam profundamente.
Ao focar no relacionamento romântico que se desenvolve entre Katia (Jehnny Beth, de “Anatomia de Uma Queda”, uma atriz iluminada) e Fred ( interpretado pelo belga Thibaut Evrard), o filme confere uma dimensão humana e "descontraída" a um tema incrivelmente sério, e lança uma luz bastante detalhada sobre o espectro do autismo – a sensação de estar representando um papel ao interagir com qualquer pessoa que não seja um ente querido e de não estar sendo autêntico, a falta de vida social, a dolorosa impossibilidade de "conversas banais", a necessidade de permanecer em casa em um espaço reconfortante e de manter rotinas rígidas porque a ansiedade diante do inesperado pode ser muito forte, um enorme apetite por conhecimento. Como o filme enfatiza, o alívio finalmente chega quando ela consegue dar um nome ao seu comportamento peculiar e finalmente se sentir ela mesma.




