Ballet de Londrina estreia espetáculo grandioso no Ouro Verde
Companhia une-se à Orquestra Bravi em "A Vida É Um Dia", montagem com dança, poesia e elementos visuais que anuncia o centenário da cidade
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terça-feira, 18 de agosto de 2026
Companhia une-se à Orquestra Bravi em "A Vida É Um Dia", montagem com dança, poesia e elementos visuais que anuncia o centenário da cidade

O Ballet de Londrina estreia esta semana um dos maiores espetáculos de sua trajetória de três décadas. E a motivação não poderia ser mais especial: revisitar a história da cidade e preparar as comemorações do centenário.
Com coreografia de Alex Soares e baseado em obra homônima de Renato Forin Jr., “A Vida É Um Dia” leva para a cena, junto da dança contemporânea, texto, música ao vivo interpretada pela Orquestra Bravi, cenários e figurinos muito especiais. A montagem personifica Londrina em uma mulher e convoca o público a vivenciar seus júbilos e traumas, e a passear por suas paisagens modernas e tradicionais.
A temporada de estreia acontece na quarta, quinta e sexta (dias 19, 20 e 21 de agosto), sempre às 20 horas, no Teatro Ouro Verde (Rua Maranhão, 85).

“Londrina passou, em menos de cem anos, por eventos muito importantes e específicos, como a colonização britânica e a geada de 1975, que mudou repentinamente sua paisagem. Em ‘A Vida É Um Dia’ tudo isso está presente, mas de um ponto de vista íntimo, como se as vivências e as fissuras fossem constitutivas de sua persona. Na obra, as raízes da nossa terra são pensadas de forma mais antiga e profunda, por meio de uma revisão histórica daquele vazio demográfico que supostamente seria o ponto de partida da divisão de terras do norte do Paraná”, explica Renato Forin Jr., que, além do dramaturgismo, assina também a direção artística e cenografia da montagem. A direção da companhia é de Marciano Boletti e a idealização do projeto é da produtora e assistente de direção Danieli Pereira.
REGRESSOS
A protagonista, uma idosa de 87 anos, inicia seu relato em uma madrugada de 2021, quando está internada em uma UTI, acometida pela Covid-19. Regressivamente, recua para outras décadas, lembrando eventos que viveu desde o seu nascimento, em 1934. Antes dele, conta sobre a linhagem de sua família, que já habitava a terra. A mulher tem um rosto enigmático e uma voz estranha, sequestrada, que vão sendo revelados até o fim desta saga épica em quatro partes.
Alex Soares assume o desafio de coreografar os dez dançarinos de diferentes gerações do Ballet de Londrina tanto em momentos de música quanto nos de recital, mas também em átimos de silêncio e de conjugação das duas linguagens. Os movimentos, que carregam a sua indelével assinatura, reforçam a mecânica de ação e reação dos corpos e concebem interessantes formações coletivas que lembram, em alguns momentos, uma geografia ou uma arquitetura em que passeia a protagonista. Soares construiu a coreografia em duas temporadas em Londrina, em novembro do ano passado e em junho deste ano.
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“Conceitualmente, quis que o espetáculo trabalhasse com contrastes, o que é característica da personalidade da mulher e, extensivamente, da identidade da babel que é Londrina. Imagine uma cidade, na década de 1950, com prédios de arquitetura modernista arrojada, como os de Vilanova Artigas e Cascaldi, fundados no barro da terra vermelha, onde sequer havia asfalto”, destaca o diretor artístico. Essas antíteses transparecem principalmente nas cores da montagem, que vão do preto profundo ao branco, passando por tons de chumbo e terra. O figurino, assinado por Cassio Brasil, emprega mais de 50 peças produzidas especialmente para a ocasião – o maior que a companhia já utilizou.
As músicas autorais são assinadas pelos londrinenses Daniel Simitan e Erisla Pastore e foram compostas na forma de poemas sinfônicos inspirados pelos quatro textos de Renato entre 2020 e 2021, quando participaram do projeto “Londrina em 4 Atos”, proposto pela Orquestra Bravi. É este mesmo conjunto acadêmico de câmara, formado por instrumentos eruditos de cordas friccionadas, que agora interpreta ao vivo a obra no Teatro Ouro Verde, com regência de Jhonathan Santos. Um projeto que já nasce histórico, unindo criações de uma nova geração de artistas, em interpretações atualizadas e contemporâneas das nossas experiências.
* Com assessoria.
SERVIÇO:
A Vida É Um Dia
Ballet de Londrina, com participação da Orquestra Bravi
Quando: quarta (19), quinta (20) e sexta (21), às 20 horas
Teatro Ouro Verde (Rua Maranhão, 85, Centro)
Ingressos: R$40 e R$20 (meia) pelo site Sympla ou na bilheteria do Teatro
Classificação indicativa: 14 anos
Tempo de duração: 60 minutos
Realização: Fundação Cultura Artística de Londrina (FUNCART) e Secretaria Municipal de Cultura, com patrocínio da Prefeitura Municipal de Londrina e da BCALDI – Além das Fachadas.
Apoio institucional: Casa de Cultura da UEL - Universidade Estadual de Londrina - Rádio UEL; apoio cultural do Festival de Dança de Londrina.


Da Redação
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