Era uma menina que adorava as palavras. Gostava de aprender algumas e inventar outras. Palavras pequenas, médias e grandes. Gostava de palavras breves como sol e lua. Também gostava de longas palavras como paralelepípedo e otorrinolaringologista. Chegou a inventar a palavra cusfosfós.

Como gostava de qualquer palavra, apreciava também os palavrões. Algo que sua mãe chamava de palavra cabeluda. A avó chamava de nome feio. E o avô chamava de baixo calão.

Numa segunda-feira a garota causou tumulto durante o almoço: soltou a palavra pinto no meio de uma frase. Foi rapidamente repreendida pela mãe por falar uma palavra cabeluda durante a refeição.

Na terça-feira a avó chegou em casa dizendo que havia visto na vizinha uma galinha cheia de pintos fofinhos. Na quarta-feira o avô chegou em casa dizendo que o amigo Manuel Pinto Santos havia sido atropelado e estava no hospital.

A menina ficou confusa. Como uma mesma palavra podia ser, ao mesmo tempo, uma palavra cabeluda, um bichinho bonitinho e um senhor de idade?

A história dessa garotinha que adorava as palavras é narrada pela escritora Ana Maria Machado no livro infantojuvenil “Palavras, Palavrinhas e Palavrões”. Publicado pela editora FTD com ilustrações de Jótah, a obra revela como o universo das palavras faz parte da vida de todos.

Por gostar de todo tipo de palavra, incluindo os palavrões, a menina teve a boca lavada com sabão. Depois lavada com pimenta.

Revoltada, decidiu faz uma greve de palavras. Permaneceu dias e dias sem pronunciar nenhuma. Até descobrir a palavra maravilha. Maravilhosamente.

Imagem ilustrativa da imagem Palavras carecas, palavras cabeludas
| Foto: Jótah/ Divulgação

SERVIÇO:

“Palavras, Palavrinhas e Palavrões”

Autora – Ana Maria Machado

Ilustrações – Jótah

Editora – FTD

Páginas – 48

Quanto – R$ 77

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