Desde alguns anos o cinema de terror vem abrigando uma série de filmes de muito baixo orçamento, como “Talk 2 Me” (2022), “Terror em Shelby Oaks” (2024) e “Iron Lung” (2026), entre outros, dirigidos por jovens youtubers que adotam algum tipo de lenda urbana (nascidas nas chamadas webséries e logo batizadas como creepypastas, germinadas nos fóruns da internet.

Agora é a vez de “Backrooms/Um Não Lugar” (2026), dirigido pelo quase infante (19) Kane Parsons, autor do conto e do curta metragem que deu origem ao longa. O filme, em segunda semana de exibição em Londrina, foi inspirado no ambiente folclórico de uma série de fotografias anônimas (de espaços vazios ou abandonados) que o próprio Parsons explorou em uma chave de imagens encontradas em seu canal do YouTube.

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Por justiça à verdade, é tipo de mitologia bastante pobre, embora com alguma originalidade, às vezes instigante, construída em torno de um único mito: a existência de um labirinto escondido em um espaço liminar (corredores, escadas, janelas) que se estende interminavelmente e não levam à lugar nenhum. Mas, como escreveu um dia o grande G. K. Chesterton, “o que mais devemos temer é um labirinto sem centro”...

O problema é que o filme não tem muito mais para comunicar além desta observação. Ele produz uma localização inquietante, inventa duas personagens (uma que está em busca de outra), cada uma com seus motivos pessoais/psicanalíticos para preferir ou rechazar seu status de eterno andarilho, alguém que vive perambulando, sem rumo, de maneira perpétua, ao sabor do caótico roteiro.

Quem é o minotauro que mora no labirinto, e o como e o por que dos cientistas que o monitoram, são incógnitas que parecem não interessar particularmente ao roteiro e nem são devidamente contestadas.


O que “Backrooms” tem são um bom gancho e uma boa direção artística, que se expressam na estética do labirinto, com seus esmaecidos papeis de paredes amarelos e luzes fosforescentes evocando um estilo classico atemporal a la vintage, e falsa comodidade; as portas, escadas e paredes que contrastam de maneira torpe com móveis e objetos truncados, às vezes sugerindo intervenções artísticas, ou aquelas prosaicas instalações, e às vezes uma realidade combinada por inteligência artificial, fotocopiada e estupidamente reconstruída ao ponto de corromper seu significado.

Assim, a narrativa pouco elaborada (ou elaborada às avessas) me fez questionar se algumas ideias assustadoras não estariam melhor na tela se deixadas como sussurros na escuridão.

Quem é o minotauro que mora no labirinto, e o como e o por que dos cientistas que o monitoram, são incógnitas
Quem é o minotauro que mora no labirinto, e o como e o por que dos cientistas que o monitoram, são incógnitas | Foto: Divulgação

O filme explora eficazmente medos primordiais – de se perder, de confinamento/claustrofobia, de qualquer tipo de ameaça invisível ou incompreensível – na medida em que mantém o recurso do found footage (aquele das fitas gravadas e encontradas em “A Bruxa de Blair”), fenômeno do neo-horror de 1999 com o qual, aliás, este “Backrooms” mantém afinidades. Como aquela que consagrou e cria cenas arrepiantes através de todas as contradições que elas sugerem; porém, é bem menos bem-sucedido em explorar sua mitologia superficial ou desenvolver o aspecto psicológico da história, que é incrivelmente banal em sua vertente pisiquiátrica.

Chiwetel Ejiofor e Renate Reinswe, com histórico recente de duas respeitáveis nominações ao Oscar, têm a tarefa de apresentar e resolver uma série de conflitos emocionais tão genéricos e tão distantes da ação que pouco podem fazer a respeito.

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