O Osasco São Cristóvão Saúde se tornou o grande campeão da Copa Brasil de Vôlei Feminino pela quinta vez, conquistando o título de equipe com mais vitórias na história da competição. Em jogo acirrado contra o Gerdau Minas no Ginásio Moringão, neste sábado (28), os torcedores acompanharam quatro sets, com parciais de 25 a 23, 28 a 26, 25 a 20 e 25 a 17. A partida terminou aos gritos de “é Tifanny (Abreu)” por parte da arquibancada, junto de xingamentos à vereadora Jessicão (PP), que tentou barrar a participação da oposta do Osasco por ela ser uma mulher transsexual, com base em uma lei municipal.

A disputa começou com o time paulista marcando, mas o Minas abriu vantagem após erros seguidos do rival. O Osasco virou com bloqueios certeiros de Bianca Cugno, com o placar marcando 10 a 7. A oposta ganhou o troféu de melhor jogadora no dia anterior, partida em que o Sesc RJ Flamengo foi eliminado. Do outro lado, a ponteira Glayce Kelly igualou o placar com dois ataques e um ace. A decisão ficou mais acirrada na metade do set, com destaque para defesas difíceis da líbero minastenista Nyeme. Mesmo assim, o primeiro set foi finalizado em 25 a 23 para o Osasco.

Imagem ilustrativa da imagem Osasco vence Minas e é pentacampeão da Copa Brasil de Vôlei
| Foto: Heloísa Gonçalves

O segundo permaneceu equilibrado e com ralis, e a levantadora polonesa Julia Nowicka abriu vantagem com seus saques para o Minas. Tifanny entrou em quadra para o rival, com todos os seus pontos acompanhados de gritos da torcida. A ponteira Pri Daroit entrou pela primeira vez no lugar da ponteira Hilary Johnson no meio do set, com o adversário Osasco liderando. Com bloqueios da central Thaisa Daher e Hilary, o Minas virou e alcançou 19 pontos, contra os 16 do time paulista.

A central Julia Kudiess atacou mal e o Osasco igualou o placar, 23 a 23. Cugno sacou diretamente na rede e a bola permaneceu no campo do time paulista, resultando em 24 a 24. Thaisa fechou o set marcando o 28º ponto do Minas, contra os 26 do rival.

O terceiro set foi menos acirrado no início, com as Guerreiras de Aço liderando com a maior folga observada em toda a final. O Minas abriu vantagem com bloqueio de Kudiess e, em seguida, mais um bloqueio de Glayce. Aos 12 a 6, por parte da equipe mineira, o Osasco igualou o placar com seis saques seguidos de Tifanny. Reforçando o seu protagonismo, a oposta finalizou o set sacando, terminando em 25 a 20 para o Osasco.

Imagem ilustrativa da imagem Osasco vence Minas e é pentacampeão da Copa Brasil de Vôlei
| Foto: Heloísa Gonçalves

O placar voltou a ficar apertado no início do quarto e último set. Com um ataque para fora por parte do Minas, o adversário alcançou 10 pontos, com as minastenistas com dois a menos. O time paulista chegou a 16 pontos, contra os 12 da equipe mineira. Em desvantagem, o Minas se esforçou para retomar a liderança observada no segundo set, mas o placar leu 25 a 17 para o Osasco.

Aposentadoria de Brait e luta de Tifanny

O agora pentacampeão da Copa Brasil de Vôlei Feminino comemorou a vitória ouvindo gritos de “é Tifanny” da arquibancada, que também entoou xingamentos à vereadora Jessicão. A oposta ganhou o troféu VivaVolêi, concedido a melhor jogadora da partida, e a líbero Camila Brait recebeu o prêmio de melhor atleta da competição.

A líbero destacou a importância do técnico Luizomar de Moura na vitória, afirmando que o considera como um pai e agradecendo por ele não ter deixado ela desistir do vôlei anos atrás. Disse ainda que está muito orgulhosa da equipe e de si mesma, feliz por ter erguido mais uma taça antes da sua aposentadoria ao final da temporada 2025/2026. Adiantou que retomará o foco na Superliga para encerrar sua carreira com chave de ouro.

Já Tifanny agradeceu o apoio da torcida e, se referindo a Jessicão, disse que “ao contrário do que essa vereadora imagina, eu sou muito amada pelo público”. Disse que o seu time é uma família e clamou pela luta contra “a homofobia, racismo e qualquer tipo de preconceito”. Mencionou ainda que, com o triunfo, o Osasco vai buscar a vitória no Sul-Americano de Clubes 2027, além da participação garantida na Supercopa.

Da Bahia ao Moringão

A arquibancada do Ginásio Moringão ficou lotada durante os dois dias de competição, atraindo até pessoas de outros estados e movimentando a economia local. É o caso das irmãs Ivone Miranda e Isailde, fãs do esporte que vieram da Bahia especialmente para torcer pelo Osasco. “Quando a gente soube que ia ter a final em Londrina, corremos para comprar a passagem, e quando chegamos aqui, eu soube dessa notícia da Tifanny (Abreu) e fiquei arrasada”, contou Miranda. Ela se referiu a tentativa da vereadora Jessicão (PP) de barrar a participação da atleta por ela ser uma mulher transsexual, se baseando em uma lei municipal.

Irmãs Isailde e Ivone (da direita para esquerda) vieram da Bahia para "torcer pelo Osasco e pela Tifanny"
Irmãs Isailde e Ivone (da direita para esquerda) vieram da Bahia para "torcer pelo Osasco e pela Tifanny" | Foto: Heloísa Gonçalves

“Fiquei chocada. É inadmissível que neste século ainda aconteçam coisas absurdas como essa. A Tifanny é uma atleta maravilhosa e ela deu nome e sobrenome no jogo”, comemorou a mulher. A dupla torcia para que a final fosse entre Osasco e Praia, mas se disse feliz por ter a oportunidade de acompanhar partidas desta magnitude, visto que “infelizmente, a Bahia ainda não tem um time que possa competir nacionalmente”. Disse ainda que “todo mundo na Bahia gosta e joga vôlei”, contando que se aventura na modalidade de areia.

Famílias torcem pelo vôlei de Londrina

Já a família de Luzia Bernardes estava torcendo para o rival do time paulista, trajada de uniformes do Sesc RJ Flamengo e pedindo por um jogo “sem sofrimento”. A mãe de Emanuelle e Maiara contou que “amou que o vôlei de elite finalmente chegou em Londrina”, considerando que o ginásio lotado mostra o carinho dos londrinenses pelo esporte. “Podiam investir mais no Londrina Vôlei (time), se o pessoal está buscando bem, tem que trazer investimento para nós”.

Luzia (ao centro) levou as filhas Emanuelle e Maiara ao Moringão para assistir a partida do Flamengo contra o Osasco
Luzia (ao centro) levou as filhas Emanuelle e Maiara ao Moringão para assistir a partida do Flamengo contra o Osasco | Foto: Heloísa Gonçalves

Mariana Ribeiro acompanhou os dois dias de competição com amigas que jogam vôlei, seu esposo e sua filha, Ana Luísa. A empresária usou o uniforme do Praia Clube, e Ana, do Flamengo. No ano passado, ela prestigiou a Taça Brasil de Vôlei, campeonato amistoso que reuniu o Londrina Vôlei, Sancor Maringá, Minas e Flamengo.

Mãe e filha, Mariana e Ana Luísa, torceram para times diferentes nas semifinais de sexta
Mãe e filha, Mariana e Ana Luísa, torceram para times diferentes nas semifinais de sexta | Foto: Heloísa Gonçalves

“Eu espero que esse mal entendido com a Tifanny não nos tire do radar do vôlei, porque a gente tem potencial para trazer muitos outros eventos. Eu acho que falta investimento para Londrina ter um time de competição real, assim como o Maringá está disputando a Série A, se tiver mais investimento, Londrina enche esse Moringão com certeza, como já encheu tantas vezes na época antiga”, considerou Ribeiro.

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