Pela primeira vez, o Paraná sedia a fase final da Copa Brasil de Voleibol e Londrina irá sediar a competição. Nos dois próximos finais de semana, o público que comparecer ao Ginásio de Esportes Moringão irá acompanhar a atuação de atletas que formam a elite feminina e masculina da modalidade. Em quadra, estarão medalhistas olímpicos. Para o esporte londrinense, o evento tem uma enorme relevância, mas a disputa também impulsiona outros setores. Um dos mais beneficiados é a economia local, ao receber uma injeção imediata de capital com a movimentação do comércio, o aumento da demanda por serviços, como na rede hoteleira, a criação de postos de trabalho e a geração de impostos. O torneio também coloca o município em evidência no país e os ganhos imateriais são imensuráveis.

A iniciativa de trazer para Londrina a fase final da Copa Brasil foi da ex-atleta da seleção brasileira de vôlei e medalhista olímpica, Elisângela Almeida de Oliveira. As tratativas com a FEL (Fundação de Esportes de Londrina) e a CBV (Confederação Brasileira de Voleibol) começaram no início do ano passado. A ex-jogadora calcula em quase 200 o número de pessoas que deverão se hospedar nos hotéis da cidade nos próximos dias, entre atletas, comissão técnica, membros da CBV e da Federação Brasileira de Voleibol, além de outros profissionais envolvidos na realização do evento. Mas muitos torcedores do Paraná e de outros estados também devem chegar a Londrina para acompanhar a disputa, movimentando ainda mais diversos setores da economia. “Tenho recebido muitas mensagens de pessoas que estão vindo de fora, de outros estados, para assistir aos jogos”, comentou Oliveira.

A rede hoteleira é apenas um exemplo dos ganhos que o município terá ao sediar o evento. Oliveira destacou toda a infraestrutura necessária para receber bem os atletas, profissionais ligados ao esporte e torcedores e mostrar que Londrina tem potencial para sediar outras grandes competições esportivas. A ex-jogadora disse que uma preocupação foi garantir a segurança, aumentar a estrutura de sanitários e oferecer bebidas e alimentos a preços justos, tornando o evento convidativo aos expectadores. “A minha expectativa é, ao terminar esse evento, entregar o melhor evento possível e, se possivelmente, trazer a Supercopa para Londrina, em outubro.”

Baseada no cálculo da média de gastos por um turista na cidade, a Codel (Instituto de Desenvolvimento de Londrina) estima que a economia local movimente R$ 3 milhões em razão da competição esportiva. Segundo a diretora de Turismo da Codel, Herika Galli, 70% das vendas de ingressos foram feitas para pessoas de fora de Londrina. “(O evento) vai movimentar o comércio, postos de gasolina, shopping centers, lojas. A gente entende o tanto que isso traz de riqueza para a cidade. Se não tivesse esse evento, olha o tanto que Londrina deixaria de receber.”

Os ganhos econômicos não acontecem somente durante a competição. Após o encerramento, Londrina segue colhendo os frutos, com a arrecadação de impostos, os salários dos cerca de 800 trabalhadores temporários que serão contratados e também com o destaque nacional que a cidade ganha ao sediar uma disputa tão importante. “É uma cadeia de ganhos. A competição chama a atenção da mídia global, aumenta a visibilidade do destino e é uma alavanca muito forte”, comentou Galli.

Oliveira ressaltou que o último grande público do vôlei em Londrina havia sido há quase dez anos, quando ela conseguiu trazer para a cidade a final da Superliga B. “Coloquei 4.282 pagantes no Moringão”, relembrou.

Os custos para a realização da final da Copa Brasil em Londrina passam de R$ 1 milhão. Para fazer frente às despesas, os organizadores contaram com verbas públicas e patrocínios de empresas privadas. A Itaipu Binacional e a Setur (Secretaria de Estado do Esporte e Turismo) investiram R$ 525 mil, a FEL liberou R$ 200 mil e outros R$ 65 mil vieram como patrocínio das construtoras Pacaembu e Pride.

Segundo a diretora de Turismo, a Codel vem trabalhando fortemente para fomentar o turismo na cidade. No turismo esportivo, o trabalho é desenvolvido em conjunto com a FEL. “A gente já conseguiu desbravar esse caminho e hoje, a questão do recurso para investir não é o impedimento para a realização desses eventos. Tivemos um retorno positivo de apoio dos governos federal e estadual. Não vejo nenhum gargalo nem grande dificuldade para essa roda girar cada vez mais rápido.”

Galli lembrou de eventos recentes que tiveram destaque regional ou nacional, impulsionados pelo apoio da Codel, como o Campeonato Brasileiro de Jet Ski, realizado em dezembro de 2025, o Papai Noel do Lago, que entrou para o Guiness Book como o maior do mundo, e, mais recentemente, o Carnaval de Londrina, que voltou a ocupar os espaços públicos. “Já conseguimos chamar a atenção e precisamos expandir cada vez mais.”

Jogos começam nesta sexta-feira (27), com disputa na categoria feminina

Os jogos da fase final da Copa Brasil de Voleibol começam a ser disputados neste final de semana. Pela categoria feminina, entram em quadra o Sesc RJ Flamengo, o Gerdau Minas, o Osasco São Cristóvão Saúde e o Dentil Praia Club. Ao todo, os quatro times reúnem oito medalhistas olímpicas.

Na sexta-feira (27), às 18h30, acontece a semifinal entre o Sesc RJ Flamengo e o Osasco São Cristóvão Saúde. No mesmo dia, às 21 horas, também disputam uma vaga na final o Gerdau Minas e o Dentil Praia Club. Quem adquirir o ingresso para a sexta-feira, terá direito a assistir aos dois jogos. As duas equipes vencedoras da semifinal voltam à quadra no sábado (28), às 21 horas.

Na semana que vem, será a vez dos times masculinos se enfrentarem pelo troféu na Copa Brasil. Na sexta-feira (6), o Praia Clube enfrenta o Cruzeiro e, na sequência, o público acompanha a disputa entre o Vôlei Renata Campinas e o Goiás. O jogo da final será realizado no sábado (7).

Quem quiser comprar os ingressos deve se apressar para garantir o preço mais baixo. O lote 1 da disputa feminina já foi encerrado e, no lote 2, os preços são R$ 120 inteira e R$ 60 o ingresso solidário, modalidade que requer a entrega de um quilo de alimento não perecível no dia do evento. Até a sexta-feira, os preços deverão sofrer nova alteração, chegando a R$ 300 a entrada inteira.

A venda dos ingressos é feita por meio de plataformas on-line. O Moringão tem capacidade para sete mil espectadores.(S.S.)

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