Médico confirma complexidade na cirurgia de Kabuto: 'Vértebras deslocadas'
Neurocirurgião disse que é cedo para prever recuperação de Kabuto, que está estável após cirurgia na coluna cervical
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sexta-feira, 28 de agosto de 2026
Neurocirurgião disse que é cedo para prever recuperação de Kabuto, que está estável após cirurgia na coluna cervical

O neurocirurgião Marcus Valério Costa, do Hospital Evangélico de Londrina, esclareceu o atual estado de saúde do lutador de jiu-jítsu Willian Masuda, o Kabuto, vítima de um golpe ilegal que provocou fraturas nas vértebras cervicais durante uma luta no último fim de semana. O caso gerou comoção pela gravidade da lesão.
Segundo o médico, Kabuto sofreu uma fratura-luxação, com deslocamento das vértebras entre a quinta e a sexta vértebras da coluna cervical e compressão da medula. A cirurgia foi complexa e precisou ser realizada pelas regiões posterior e anterior da coluna, com o objetivo de reposicionar e estabilizar as vértebras.
“É uma fratura-luxação, um deslocamento das vértebras entre a quinta e a sexta vértebras da coluna cervical, com compressão da medula. Foi necessária uma cirurgia para correção da fratura-luxação e reposicionamento das vértebras que estavam deslocadas. Foi feita uma cirurgia posterior e outra anterior no mesmo tempo cirúrgico para estabilização e fixação dos ossos da coluna”, explicou Costa.
O médico afirmou que ainda é cedo para prever como será a recuperação do lutador. Kabuto apresenta sensibilidade nos braços, mas não sente estímulos abaixo do tórax.
De acordo com Costa, a cirurgia para correção da fratura, estabilização da coluna e descompressão da medula já foi realizada. Agora, o atleta inicia uma etapa de acompanhamento e reabilitação, mas a evolução dependerá da resposta do organismo à lesão.
“Temos alguns dias em que ele está no hospital e sei que isso gera toda uma expectativa em relação a como ele está e como será essa evolução. Mas, pela gravidade do caso, não é uma resposta imediata. É um processo longo, como acontece com qualquer pessoa que tenha uma lesão e precise de tempo para a reabilitação”, afirmou.
“Todo o tratamento necessário está sendo feito. A correção da fratura, a estabilização, a liberação do canal e a descompressão da medula já foram realizadas. Agora é o trabalho de estabilização geral para que ele tenha condições de recuperar o máximo possível. Ainda é muito cedo para traçar um prognóstico e dizer como ele ficará”, acrescentou.
Apesar da gravidade do quadro, Costa destacou que Kabuto está estável e apresenta condições clínicas favoráveis neste momento. O lutador está acordado, consciente, alimentando-se e realizando o tratamento indicado pela equipe médica.
A recuperação, segundo o neurocirurgião, será gradativa e poderá levar tempo. Por isso, não é possível esperar mudanças significativas de um dia para o outro.
“Não dá para esperar uma resposta imediata. Não é porque ontem ele estava de uma maneira que hoje estará de outra. É um processo lento e gradativo. Pode haver recuperação, mas ela acontece aos poucos. Não é que ele esteja de um jeito hoje e amanhã estará totalmente recuperado. Infelizmente, não é assim para ninguém que tenha um quadro semelhante ao dele. É um processo gradativo, com evolução lenta, mas sempre temos que manter a esperança. Todo o tratamento necessário está sendo feito”, afirmou.
Sobre a possibilidade de Kabuto voltar a andar, Costa foi cauteloso. O médico explicou que, neste momento, não é possível afirmar nem que o lutador recuperará os movimentos das pernas nem que isso não acontecerá.
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“Não tem como afirmar. É uma pergunta que, no momento, não tem resposta. Está muito cedo. Mesmo um centro especializado em reabilitação não poderia fazer essa afirmação agora. Existe a possibilidade? Sempre existe. Não podemos estabelecer um prognóstico fechado, dizendo que ele não terá condições de se recuperar ou que, com certeza, vai se recuperar. Isso ainda é muito difícil de afirmar. Mas a possibilidade existe”, declarou.
Costa também explicou a gravidade da lesão e destacou que a força empregada no golpe teve papel determinante no trauma. O oponente teria utilizado todo o peso do corpo, cerca de 120 quilos, sobre a cabeça de Kabuto. O lutador chegou ao hospital sem sensibilidade do pescoço para baixo.
“Não é apenas uma questão de força muscular. A lesão também depende da força empregada no impacto. Se fosse uma força muito leve, talvez não tivesse acontecido nada. Mas, como a força aplicada foi maior, mesmo com toda a musculatura que ele tem como atleta, isso não impediu que ocorresse uma lesão grave”, explicou o neurocirurgião.


Matheus Camargo
Repórter de Esportes, com foco no Londrina Esporte Clube.





