Segurança para exportar é a chave para um bom negócio
Folha conversou com um advogado especialista em direito empresarial para entender a importância de uma boa equipe jurídica na formalização dos contratos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 24 de setembro de 2025
Folha conversou com um advogado especialista em direito empresarial para entender a importância de uma boa equipe jurídica na formalização dos contratos

Uma comitiva de empresários paranaenses do ramo alimentício vai participar de uma missão empresarial no Catar, país em pleno crescimento no coração do Oriente Médio. Durante quatro dias, os empresários vão sentar frente a frente com possíveis importadores cataris em busca de efetivar contratos de exportação.
Na missão de acompanhar os empresários que integram a comitiva, o advogado especialista em direito empresarial Fernando Vernalha explica que, apesar de muitos empresários já estarem acostumados a exportarem seus produtos para outros países, é fundamental estar atento à elaboração dos contratos, assim como em uma série de cautelas que devem ser observadas na formalização dessas transações para que o processo de exportação seja o mais seguro possível com países do Oriente Médio.
A exportação de produtos e até mesmo o ingresso de grupos estrangeiros no país para investimentos é um processo complexo, envolvendo uma série de questões regulatórias e legais que precisam ser analisadas. “O Brasil não tem uma regulação simples, especialmente quando o assunto é a participação de estrangeiros em negócios no país”, afirma, reforçando a importância do apoio de uma equipe jurídica para lidar com todas as especificidades da legislação brasileira.
“É importante que as empresas estejam apoiadas com especialistas jurídicos que possam prestar a consultoria apropriada e participar de negócios no Brasil”, garante.
Regulação
Além de estar de acordo com a legislação brasileira, Vernalha alerta que as transações também devem obedecer às regras do Catar. “É preciso ter um cuidado jurídico na elaboração dos contratos para que eles estejam de acordo com a regulação dos países envolvidos na transação”, explica.
O advogado lembra que a missão empresarial tem dois objetivos principais, sendo que o primeiro é apresentar aos empresários paranaenses novas oportunidades de negócio para a exportação de seus produtos.
Além disso, ele destaca como segundo ponto de interesse o fato de que a comitiva vai poder apresentar as possibilidade de investimentos em empreendimentos de infraestrutura no Paraná e no Brasil ao longo dos quatro dias de viagem.
Infraestrutura
“Há um interesse recente de grupos em investir na infraestrutura brasileira”, aponta o advogado, ressaltando que o Paraná, por exemplo, é um estado com uma gama de projetos voltados à infraestrutura em diversos setores e segmentos. A missão dos empresários paranaenses ao Catar tem o apoio do Grupo Folha de Londrina
O Oriente Médio é uma região que concentra 57 países islâmicos e cerca de R$ 1 bilhão de pessoas. Conhecido como ‘mercado halal’, a necessidade de produtos aumenta à medida que a população e o poder de consumo crescem a passos largos.
Dados de 2023 do Relatório sobre o Estado da Economia Islâmica Global (SGIER, na sigla em inglês) apontam que o mercado halal deve movimentar, até 2030, aproximadamente $ 10 trilhões (de dólares). A comitiva com cerca de 10 empresas dos mais variados ramos alimentícios vai sair de Londrina sábado, 27 de setembro, e a agenda oficial começa no dia 29, com quatro dias de muito aprendizado, networking e negócios.
No primeiro dia, a agenda vai envolver a conversa com representantes do fundo de investimentos do Catar, evento organizado pela Embaixada do Brasil no país, e com o maior importador e exportador catari, que compra e vende produtos para todo o Oriente Médio. No dia seguinte, o encontro vai ser com um príncipe da família Al Thani, que governa o Catar.
No terceiro e quarto dia vão ser feitas as rodadas de negócios específicas, ou seja, o empresário brasileiro vai poder negociar diretamente com seu possível cliente. O foco está nas empresas de Londrina, mas representantes de várias regiões do Paraná vão estar presentes na missão.
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Produtos paranaenses
Ele reforça que hoje o Paraná é protagonista na produção de diversos bens e produtos que interessam aos países do Oriente Médio. Como exemplo, o advogado cita que o estado é líder na produção de frangos e é destaque na suinocultura e, além das proteínas animais, também encabeça a colheita de cevada, feijão, trigo e soja.
“Por isso, a perspectiva de construção de laços comerciais duradouros e de longo prazo é importante”, afirma. Por fim, Fernando Vernalha ressalta que o Paraná é um estado que tem capacidade para oferecer boas oportunidades de negócios aos importadores estrangeiros, principalmente por possuir uma série de produtos, que contam com uma produção consistente e de qualidade.


Jéssica Sabbadini
Repórter com atuação na cobertura local.




