Missão de negócios leva empresários do Paraná até o Catar
Comitiva desembarca no país no final de setembro; objetivo é ampliar e diversificar os mercados de exportação, movimentando a economia do estado
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 26 de agosto de 2025
Comitiva desembarca no país no final de setembro; objetivo é ampliar e diversificar os mercados de exportação, movimentando a economia do estado

Uma comitiva formada por empresários paranaenses vai desembarcar no Catar em setembro para uma missão de negócios. Com um mercado consumidor pujante e em plena expansão, empresários do ramo alimentício vão conhecer mais de perto as oportunidades de exportações com o país localizado no Oriente Médio, que serve como um eixo logístico para dezenas de outras nações.
Ana Carolina Matos Carrara, empresária e idealizadora da missão, destaca que o objetivo é expandir o mercado do Oriente Médio para empresários paranaenses. Ela menciona a OCI (Organização para a Cooperação Islâmica), uma entidade intergovernamental com 57 países membros e uma significativa população islâmica, que abrange o Oriente Médio, África, Ásia, América do Sul e Europa.
A comitiva vai se reunir com Massoud Al-Marri, especialista em segurança alimentar e diretor do Departamento de Segurança Alimentar do Catar, onde implementa a Estratégia Nacional de Segurança Alimentar 2030.
A região, que representa um "mercado halal," possui cerca de 1 bilhão de pessoas, e a demanda por produtos halal cresce rapidamente com o aumento da população e do poder de consumo.
US$10 trilhões
Dados de 2023 do Relatório sobre o Estado da Economia Islâmica Global (SGIER, na sigla em inglês) apontam que o mercado halal deve movimentar, até 2030, aproximadamente US$10 trilhões.
Ana Carolina Carrara explica que em um mundo cada vez mais conectado e globalizado, aliado às inseguranças que vieram junto ao chamado "tarifaço", acendeu um alerta de que existem muitas outras possibilidades e mercados a serem explorados.
Ela conta que a ideia surgiu a partir das experiências que teve com sua comercializadora de carnes, por ser pecuaristas, já que passou a entender que essa região do mundo precisava de muitos produtos além da proteína animal. “Tinha uma oportunidade não só para nós, como comercializadores de carne, mas também para outras empresas que têm esse desejo de exportar e abrir novas frentes de mercado”, explica.
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Ao definir como um país muito estratégico e capitalizado, a escolha pelo Catar veio de uma abertura com autoridades importantes do país e da grande disponibilidade que a nação tem de recursos para importar produtos. Além disso, ela explica que muitos importadores cataris também atuam em outros países da região e até mesmo de parte da Ásia, o que amplia ainda mais o alcance dos produtos brasileiros.
A partir daí, eles começaram a mapear todas as oportunidades de negócio, principalmente ligadas à segurança alimentar da população, um dos tópicos priorizados pelo país islâmico. Com isso, a ideia de uma missão empresarial foi sendo estruturada aos poucos, onde 10 empresas dos mais variados ramos alimentícios foram convidadas a partir dessas negociações. “O nosso foco foi e é achar empresas que de fato já estejam prontas para começar a operar, que tenham volume e capacidade financeira para aguentar o fluxo de exportações”, detalha.
Diversificação do seu portfólio
Em um trabalho a muitas mãos, a Invest Paraná também desempenhou um papel importante no diálogo com as empresas. Giancarlo Rocco, diretor de Relações Internacionais da Invest Paraná, afirmou que a missão empresarial representa um passo importante para a economia paranaense e para os empresários que buscam uma diversificação do seu portfólio.
“O Paraná e o Brasil precisam olhar para outros mercados. O Oriente Médio já é um mercado muito forte, seja como um hub logístico ou como um mercado consumidor crescente com alto poder aquisitivo”, afirma. Em relação ao Catar, o diretor pontua que o país já tem um planejamento a longo prazo voltado à importação, então estreitar as relações neste momento pode permitir que a criação de laços comerciais sejam duradouros, o que é muito importante para os empresários paranaenses.
Detalhes técnicos da visita
A comitiva vai sair de Londrina no dia 27 de setembro e a agenda oficial começa no dia 29, com quatro dias de muito aprendizado, networking e, claro, negócios. Como o foco é em produtos alimentícios, a missão vai envolver empresas voltadas à produção de chá, milho, soja, açúcar, café, açaí, bebidas energéticas, proteína animal (carne bovina e de frango), óleo de soja e farinha de trigo.
No primeiro dia, a agenda vai envolver a conversa com representantes do fundo de investimentos do Catar, evento organizado pela Embaixada do Brasil no país, e com o maior importador e exportador catari, que compra e vende produtos para todo o Oriente Médio. No dia seguinte, o encontro vai ser com um príncipe da família Al Thani, que governa o Catar.
No terceiro e quarto dia vão ser feitas as rodadas de negócios específicas, ou seja, o empresário brasileiro vai poder negociar diretamente com seu possível cliente. O foco está nas empresas de Londrina, mas representantes de várias regiões do Paraná vão estar presentes na missão.
“A expectativa é alta para que a gente volte dessa missão com negociações concretas e firmadas”, afirma Ana Carolina Matos Carrara. Com isso, a pretensão é tirar do papel outras possibilidades de negociação, já que o mercado do Catar e de todo o Oriente Médio é promissor e aberto às exportações.
Para garantir a eficiência da missão, foi formado um grupo de empresas e profissionais denominado Global Nexus. Daniela Pieralisi, especialista em internacionalização com vasta experiência em missões internacionais, lidera a coordenação de todos os detalhes técnicos da operação. Empresas interessadas em participar podem entrar em contato com ela através do WhatsApp: 43 99646-5335.
Missão tem apoio da FOLHA
Com a missão de informar os londrinenses e paranaenses há quase oito décadas, a Folha de Londrina também participa ativamente de ações que promovem a transformação, o desenvolvimento e o fortalecimento da economia do estado. E é por isso que o veículo de comunicação é um dos apoiadores desse movimento de expansão das exportações do Paraná para novos mercados consumidores.
Superintendente do Grupo Folha de Londrina, Nicolás Mejía reforça que o objetivo central é conectar possíveis compradores com possíveis vendedores da área alimentícia. Ele destaca que esse foi um tema debatido durante a 22ª edição do Encontros Folha, com o tema “Exportações Brasileiras em Alta”, em que o bate-papo rendeu frutos e mostrou o potencial que a região norte do Paraná tem em ampliar seu mercado consumidor.
Há semanas, a Folha de Londrina vem noticiando os impactos e as preocupações de empresários paranaenses com a notícia do ‘tarifaço’. Para Mejía, esse é um momento muito importante para ampliar os olhares em busca de novas oportunidades. “O Oriente Médio é um mercado em plena expansão e com muita capacidade de compra, mas que ainda não está sendo explorado como poderia ser”, ressalta.
Mejía também evidencia que os meios de comunicação podem influenciar decisões políticas e econômicas. “Esse é um mundo hiperconectado e assumimos o desafio e a responsabilidade de promover o desenvolvimento regional através destas novas conexões de negócios, não apenas dentro do Paraná ou do Brasil, mas agora com conexões fora do país”, finaliza.


Jéssica Sabbadini
Repórter com atuação na cobertura local.




