Investimentos em ações crescem e Paraná se destaca
Estado é o quarto estado em contas sob custódia da B3 e o quinto em valor investido
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segunda-feira, 25 de agosto de 2025
Estado é o quarto estado em contas sob custódia da B3 e o quinto em valor investido

Uma pesquisa realizada no final do ano passado pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais) em parceria com o Datafolha revelou que entre os 101 milhões de brasileiros que ainda não investiam em produtos financeiros, 18 milhões avaliavam alterar essa condição em 2025.
Se a intenção se confirmar, o Brasil deverá chegar em dezembro com quatro milhões a mais de investidores e aumentar de 37% para 39% a parcela da população com recursos aplicados.
A 8ª edição do Raio X do Investidor Brasileiro mostrou que embora a caderneta de poupança ainda seja a principal escolha, houve queda nessas aplicações, especialmente entre a população mais jovem.
Esse público demonstra maior disposição para a diversificação de seus ativos e pelo recorte da estratificação econômica e social, essa tendência ganha mais força entre a classe A/B. “A poupança ainda é o destino preferido da população brasileira quando falamos de investimento, mas a proporção das pessoas que apontam para a caderneta se reduz a cada ano. Isso ainda é mais acentuado quando olhamos para a parcela mais jovem da população, que conhece mais produtos, diz estar mais disposta a diversificar e tende a ter maior propensão ao risco”, avaliou o superintendente de Sustentabilidade, Inovação e Educação da Anbima, Marcelo Billi.
Na estratégia de distribuição de capital da população com maior faixa de renda, as ações na Bolsa de Valores ocupam a sexta posição, com 6%, atrás da caderneta de poupança (31%), títulos privados (15%), fundos de investimento (13%), moedas digitais/criptomoedas (8%) e compra e venda de imóveis (7%).
Em crescimento
Mas o percentual de investidores da Bolsa vem crescendo, conforme observou a XP Investimentos. Entre 2021 e 2023, o número de investidores da B3 aumentou 46%, saltando de 13,1 milhões para 19,1 milhões de pessoas.
Com base em dados de agosto de 2025 da B3 e do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a consultoria de investimentos Garoa Wealth Management identificou que proporcionalmente ao tamanho da sua população, o Paraná está entre os estados com o maior número de investidores na Bolsa. E na média, os paranaenses são os que mais aportam valores, por pessoa física.
Segundo a empresa de consultoria, o Paraná tem, ao todo, 390.278 contas sob custódia da B3, o quarto estado do país em números absolutos e o quinto em valor total investido, com R$ 29,58 bilhões. O montante corresponde a 5,21% de todo o capital aplicado no país.
“O Paraná é um estado com participação relevante no PIB (Produto Interno Bruto) nacional e a participação das pessoas que investem acompanha a riqueza que o Estado gera”, disse o sócio da Garoa Wealth Management, Carlos Müller.
Considerando os dados do IBGE de 2024, cerca de 3,30% da população paranaense investem na B3, percentual abaixo apenas de São Paulo (4,73%) e Rio de Janeiro (3,58%). A proximidade com São Paulo e a presença de gestoras de investimentos de relevância no Paraná ajudam a explicar esse movimento, afirmou Müller.
Mas também há outras duas leituras possíveis para esses dados. Uma delas, é que o paranaense é um investidor mais propenso a tomar risco e a outra, que há mais camadas da população optando por essa modalidade de investimento.
Nos últimos dias, questões políticas e econômicas têm feito a cotação da bolsa de valores oscilar e na última terça-feira (19), o Ibovespa teve o pior resultado do ano, com queda de 2,1%.
Momentos como esse podem preocupar quem já investe na bolsa e animar quem ainda planeja investir, vislumbrando a possibilidade de ganhos em futuras altas do pregão. Müller destacou que apesar das turbulências recentes, a B3 se mantém atrativa. “A Bolsa está muito próxima de recordes históricos, ela tem se sustentado acima desses 130 mil pontos já há algumas semanas, o que é um indicativo interessante.”
O consultor avalia que este é um um bom momento para o ingresso de novos investidores, mas lembra que o retorno não deve ser esperado para curto prazo. “Se há a possibilidade de precisar do recurso em um prazo inferior a cinco anos, não entre na Bolsa. A gente já teve períodos de ficar cinco, seis, sete, dez anos com a Bolsa sem andar, tendo performances ruins. Então, isso tem que ser levado em conta.”
"Para quem tem estômago"
Investir na B3, definiu Müller, é para “quem tem estômago”. Ao preencher um cadastro na corretora, o investidor responde uma série de perguntas que irão definir se ele tem perfil conservador, moderado ou arrojado, mas a principal característica, apontou ele, é o "quanto o estômago embrulha quando a Bolsa cai". “É isso que vai dizer o que tu aguenta.”
Para quem tem paciência e disponibilidade para deixar o dinheiro rendendo por muitos anos e quer arriscar na B3, as corretoras têm uma ampla oferta de produtos e possibilidades mais acessíveis a pessoas com menor poder de investimento.
Além das corretoras, os bancos mantêm plataformas próprias para esse tipo de aplicação e uma orientação do especialista é pesquisar com profundidade, inclusive em sites para registro de queixas e denúncias de consumidores, antes de escolher a instituição financeira.
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Outra dica é começar com valores mais baixos do que gostaria e ir aumentando gradualmente conforme vai adquirindo confiança e conhecendo o mercado de ações.
Mesmo que neste momento os juros a 15% favoreçam as aplicações em renda fixa, as ações devem ser avaliadas como meio de diversificação dos investimentos. “A gente sabe que esses juros não vão permanecer nesse patamar para sempre. Vão reduzir e aí, a gente precisa ter algumas outras coisas com um pouco mais de risco que podem fazer mais retorno ao longo do tempo”, sugeriu Müller.


Simoni Saris
Repórter com atuação nas áreas de Economia, Infraestrutura e Agronegócio.




