Os indicadores do Serviço de Proteção ao Crédito da Associação Comercial e Industrial de Londrina (SPC/ACIL), referentes ao mês de agosto, indicam forte retração na quantidade de consumidores que foram incluídos no cadastro de inadimplentes. Em outras palavras, o índice de negativados caiu 52,8% na comparação com agosto de 2024. No acumulado do ano, a redução chega a 22,5% diante do mesmo período no ano passado.

“Esse movimento reforça uma tendência de menor ingresso de novos nomes no sistema de restrição ao crédito, indicando maior cautela dos consumidores e menor propensão ao endividamento”, destaca o economista Marcos Rambalducci, consultor econômico da ACIL.

Retrações

Se o número de negativados diminuiu, também houve queda no índice de consumidores que conseguiram quitar suas dívidas e sair do cadastro de inadimplência. A redução foi de 51% em relação a agosto de 2024. No acumulado do ano, a retração é de 11% em comparação ao mesmo período do ano passado.

O número de consultas ao sistema de crédito, indicador que mede a intenção de compras a prazo, teve queda de 10,4% em agosto e de 7,12% no acumulado do ano, na comparação com 2024. “Isso demonstra um ambiente de consumo mais retraído, em que tanto a demanda por crédito quanto a disposição dos fornecedores em concedê-lo permanecem em níveis mais baixos”, alerta o economista.

Saúde financeira

Para Rambalducci, o cenário é preocupante: “Por um lado, há menor entrada de novos inadimplentes; por outro, observa-se forte redução na saída de consumidores da lista negativa e queda na atividade de consumo a prazo. Essa dinâmica sugere que as famílias estão evitando novos compromissos, mas enfrentam grandes obstáculos para recuperar sua saúde financeira. Este quadro limita a retomada do consumo, fragiliza a confiança do mercado e mantém pressão sobre a atividade econômica local”.

Inadimplência cresce entre empresas brasileiras

As empresas enfrentam um ambiente econômico desafiador no país, onde o alto custo do crédito eleva a inadimplência e impacta diretamente os negócios. De acordo com o Indicador do SPC Brasil e da CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas), o número de empresas inadimplentes do Brasil teve crescimento de 10,28% em julho de 2025 em relação a julho de 2024. A variação anual observada em julho deste ano ficou acima da observada no mês anterior. Na passagem de junho para julho, o número de devedores caiu ‐0,36%.

Os dados mostram ainda que em julho de 2025, cada empresa negativada devia, em média, R$ 6.827,46 na soma de todas as dívidas. Considerando todas essas dívidas, cada empresa inadimplente devia, em média, para 1,75 empresas credoras.

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“Com as taxas de juros do país em patamares elevados, tomar crédito para financiar o negócio ou capital de giro custa muito mais caro, e isso impacta diretamente a saúde financeira da empresa”, destaca o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior.

Uma pesquisa realizada pela CNDL e pelo SPC Brasil mostra que para metade dos donos de empresas do setor de comércio e serviços de todo o país (50%) é difícil ou muito difícil tomar crédito em instituições financeiras para a empresa. Dentro deste cenário, Pellizzaro alerta sobre a importância do controle do Score do CNPJ das empresas, sobretudo as micro e pequenas, que dependem do acesso ao crédito para operar e manter as contas em dia.

“A negativação do CNPJ traz grandes prejuízos para a empresa, uma vez que impacta no aceso ao crédito e nas transações comerciais com fornecedores e parceiros. Manter um bom Score do CNPJ e observar qualquer alteração é fundamental para a sustentabilidade dos negócios e para que eles mantenham condições viáveis de financiamentos”.

O indicador mostra que em julho de 2025, o número de dívidas em atraso no Brasil teve crescimento de 11,72% em relação ao mesmo período de 2024. O dado observado em julho deste ano ficou acima da variação anual observada no mês anterior. Na passagem de junho para julho, o número de dívidas apresentou recuo de ‐0,04%.

Medido mensalmente, o Indicador de Inadimplência de Pessoas Jurídicas do SPC Brasil busca avaliar a evolução do número de empresas negativadas e do número de dívidas em atraso registradas nas bases às quais o SPC Brasil tem acesso.

Com informações da Acil e da CNDL

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