Posto na zona sul cobra R$ 8,49 pelo litro do diesel
Em nova pesquisa sobre os valores dos combustíveis em Londrina, Procon observou aumento considerável no diesel S-10 e na gasolina comum
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 17 de março de 2026
Em nova pesquisa sobre os valores dos combustíveis em Londrina, Procon observou aumento considerável no diesel S-10 e na gasolina comum

O Procon-Londrina divulgou os resultados da mais nova pesquisa de preços dos combustíveis em postos da cidade, realizada entre segunda (16) e terça-feira (17), atestando novos aumentos nos valores praticados, em especial, no óleo diesel S-10 e na gasolina comum. Em menos de uma semana, o litro do primeiro combustível saiu da casa dos R$ 7 e passou de R$ 8, sendo que um estabelecimento na Gleba Palhano, zona sul, está cobrando R$ 8,49 aos seus clientes. O órgão analisa possíveis infrações por parte de 14 postos já notificados por aumentos acima da média.
Desde o início da guerra entre os Estados Unidos e o Irã, deflagrada no dia 28 de fevereiro e que levou à disparada no preço do barril do petróleo, o Procon promoveu cinco pesquisas na cidade. Comparando com o penúltimo levantamento, feito na quinta (12) passada, o diesel S-10 registrou aumento médio em torno de R$ 0,35 por litro nesta terça, enquanto a gasolina comum apresentou variação média de aproximadamente R$ 0,20 por litro. Bruno Lopes, diretor-executivo do Procon-LD, pontuou que são “variações bastante consideráveis”. O etanol manteve-se relativamente estável no período, com aumento de R$ 0,6 centavos na média.
'Cenário incerto'
Considerando 95 postos, os estabelecimentos de Londrina cobram, em média, R$ 4,43 pelo litro de etanol, R$ 6,36 pelo de gasolina e R$ 7,52 pelo litro do diesel S-10. Os preços máximos atestados com o novo estudo foram, respectivamente, R$ 5,19, R$ 7,09 e R$ 8,49, este último cobrado por um posto na Gleba Palhano. Em duas semanas - de 2 a 17 de março -o estabelecimento partiu de R$ 6,79 para a cobrança de R$ 1,70 a mais por litro.
O Governo Federal zerou as alíquotas do PIS e do Confins sobre a importação e comercialização do diesel, para que o preço não aumentasse tanto quanto poderia. Relembrando que a Petrobras reajustou os valores de venda do diesel A para as distribuidoras em R$ 0,38 por litro, Lopes informou que a iniciativa federal “não refletiu, de fato, a diminuição de preço aqui na cidade".
“Para os donos de postos que somente fizeram esses repasses (a partir do valor cobrado pela distribuidora), não há uma irregularidade, a princípio. No entanto, aqueles que se aproveitaram e aumentaram a margem de lucro, que fizeram um aumento injustificado desse valor, serão punidos e coibidos pelo Procon”, garantiu Lopes.
Remarcação irregular de preços
Durante a pesquisa desta semana, o Procon não encontrou estabelecimentos cobrando valores acima do esperado e que destoaram da média. Já na semana passada, 14 postos de combustíveis foram notificados para que apresentem as notas de compra e de venda dos últimos três meses até quinta (19). Destes, seis já encaminharam a documentação solicitada e, preliminarmente, um estabelecimento cometeu a infração.
Este e demais postos podem ser alvos de uma medida administrativa ou de multa proporcional ao seu faturamento e porte, variando de R$ 1,1 mil a R$ 1 milhão. “São multas graves para quem está se aproveitando desse momento para aumentar indiscriminadamente e lesar o consumidor”, pontuou o diretor. Ele ainda negou que haja indicativos de atuação de cartel no município, com acordo de preços, visto que o Procon registrou grande disparidade nos valores dos combustíveis.
Lopes não descarta a possibilidade dos valores aumentarem ainda mais nos próximos dias se o Irã não retirar o bloqueio no Estreito de Ormuz, por onde é escoado quase um quarto do petróleo consumido no mundo - o que vem causando a escassez do produto em vários países.
Consumidores podem conferir os preços cobrados pelos 95 postos de combustíveis de Londrina no site do Procon.
Na RML
Na Região Metropolitana de Londrina, o cenário também é de incerteza. O Procon de Cambé promoveu uma pesquisa de preços nos 20 postos da cidade nesta segunda (16). Todos os proprietários foram notificados para apresentarem notas fiscais de compra e venda dos combustíveis entre 1º e 15 de março em até 10 dias.
“A partir daí, as informações serão compiladas para ver se o aumento partiu dos postos, se já foi repassado pelas distribuidoras e qual atitude será tomada”, informou a Prefeitura. Os munícipes podem tirar dúvidas pelo telefone (43) 3174-2851.
Um levantamento também foi feito em Arapongas nos dias 10 e 12, contemplando os 27 postos da cidade. A coordenadora do Procon local, Fabiani Barbist, informou que foram solicitadas as notas das três últimas compras realizadas por cada um, para que uma nova pesquisa seja realizada nesta quarta (18). A documentação ainda está sendo analisada, mas Barbist adiantou que o órgão recebeu diversas denúncias de cobranças abusivas.
Em Rolândia, o Procon notificou 11 estabelecimentos por aumento significativo nos valores praticados na última sexta (13), sendo que os proprietários têm até quarta para apresentar os esclarecimentos e documentos que justifiquem a alta.


Heloísa Gonçalves
Repórter com atuação em Educação, Saúde e Cidades.


