Os preços dos combustíveis seguem em elevação em Londrina. Em menos de uma semana, o litro do óleo diesel S10 saiu da casa dos R$ 7 e passou de R$ 8, mas mesmo com a alta, alguns pontos de revenda enfrentam a falta do produto. Consumidores reclamam dos reajustes frequentes e se preocupam com o efeito cascata que deverá atingir vários setores do comércio.

Nesta segunda-feira (16), a FOLHA percorreu alguns postos de combustíveis da cidade. Em um deles, na zona oeste, uma placa informava que o diesel S10 era vendido a R$ 7,29 o litro e o comum, a R$ 6,99, mas não havia estoque. “Não temos diesel para vender. Nem o S10 nem o comum. O caminhão está na distribuidora desde sábado (14), mas não consegue carregar”, comentou um frentista. “Os agricultores estão em época de colheita e estão usando bastante diesel. Um único cliente veio aqui na semana passada e levou sete mil litros para a fazenda dele.”

Na mesma região, alguns estabelecimentos ainda tinham o produto, mas os preços estavam mais altos, com o diesel S10 variando entre R$ 7,69 e R$ 7,89 nas bombas. Em pelo menos um estabelecimento, em outra região da cidade, a reportagem apurou que o litro do diesel S10 já chegava a R$ 8,29.

Os preços dos combustíveis ao consumidor final são pressionados pela disparada no preço do barril do petróleo, efeito da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, deflagrada no último dia 28 de fevereiro. O país persa fechou o Estreito de Ormuz, por onde é escoado quase um quarto do petróleo consumido no mundo, causando a escassez do produto em vários países.

A ofensiva completou 17 dias nesta segunda-feira e, neste período, o preço do barril do petróleo Brent, saltou de cerca de menos de US$ 70 para mais de US$ 100. No dia 9 de março, foi observada a maior alta até agora, com a cotação chegando a US$ 120. Após esse pico, o preço do barril recuou, mas ainda está bem distante dos valores registrados antes da guerra.

Os revendedores de combustíveis afirmam que os reajustes aplicados nas bombas dos postos são repasses necessários para cobrir as altas praticadas pelas distribuidoras. A Paranapetro, entidade representativa dos revendedores de combustíveis no Estado, ressaltou que, na última quinta-feira (12), o governo federal zerou a alíquota do PIS e Cofins cobrada sobre o diesel, o que deveria reduzir em R$ 0,29 por litro do produto. Porém, com a alta anunciada pela Petrobras, o diesel comum deverá ter um acréscimo de R$ 0,32 por litro.

“Com isso, tem-se uma tendência de alta de cerca de R$ 0,03 no preço praticado pelas distribuidoras”, observou a Paranapetro. “A velocidade deste repasse, caso aconteça, depende da política de preços de cada distribuidora, uma vez que os postos não podem comprar das refinarias – são obrigados a comprar das companhias de distribuição”, destacou a entidade em nota encaminhada por sua assessoria de imprensa.

O empresário Antonio Marcos Patricio Ferreira foi surpreendido com o novo aumento do preço do diesel. A cada vez que enchia o tanque da caminhonete, desembolsava cerca de R$ 500. Nesta segunda-feira, ao chegar a um posto de combustíveis de Londrina, levou um susto ao ser informado que o litro do diesel S10 havia subido para quase R$ 8 em um intervalo de uma semana, alta de quase 10%. “Por que subiu tanto? Na semana passada estava R$ 7,19. Quem aguenta tantos reajustes? É uma ladroeira. O diesel é a base do comércio, do transporte no Brasil, para alimentos, para tudo. Isso aí vai virar uma bola de neve. Para mim, é cartel”, reclamou.

“Ainda não fiz as contas do quanto vou gastar, mas hoje troquei o combustível. Eu vinha abastecendo com gasolina, mas não está mais compensando e agora, coloquei etanol, que está mais viável neste momento”, disse o operador de equipamentos Marcelo José Cândido. “Essa alta pesa bastante no bolso e provavelmente vai subir todo o resto, como a alimentação, porque tudo depende do transporte.”

Diesel sobe mais de R$ 1 em Londrina em dez dias, aponta Procon

Desde o início deste mês, o Procon em Londrina intensificou as pesquisas de preço dos combustíveis nos postos da cidade e, segundo o coordenador do órgão de defesa do consumidor, Bruno Lopes, os levantamentos confirmam os preços em elevação. “O diesel teve um boom desde o dia 2 de março. Já subiu mais de R$ 1”, comentou.

O penúltimo levantamento, feito em 9 de março, o diesel havia subido R$ 0,40 por litro. Três dias depois, uma nova pesquisa apontou novo aumento, de R$ 0,62. A gasolina também subiu, R$ 0,10 por litro. O etanol, por enquanto, sofreu pouca variação, com 0,71% de alta, o que não chega a R$ 0,05.

“O diesel S10 chegou a variar, no período, R$ 2,20, onde a média foi de R$ 1 de aumento. O S500 (diesel comum) variou R$ 1,60 e a gasolina comum, R$ 0,70. Londrina está seguindo dentro do padrão esperado, mas constatamos que alguns postos subiram mais que a média”, disse Lopes. Nesta quinta-feira (19), uma nova pesquisa deverá ser feita pelo Procon em Londrina.

A pesquisa de preços é feita em 95 estabelecimentos e após a variação observada no estudo do dia 12 de março, 14 postos foram notificados para que apresentem as notas de compra e de venda dos últimos três meses. Os estabelecimentos notificados praticaram aumentos acima da média. “Com a documentação, vamos ver se foi um repasse das altas nas distribuidoras ou se o posto se aproveitou da situação para aumentar o faturamento ou a margem de lucro. Aumentar sem justa causa é prática abusiva e estamos aqui para coibir”, disse o coordenador do Procon.

O prazo para apresentação dos documentos é de cinco dias úteis e vence nesta quinta-feira (19). Se os fiscais do Procon constatarem irregularidades na remarcação de preços, será dado novo prazo de defesa e, se a alta permanecer injustificada, será lavrado auto de infração contra os estabelecimentos. A multa pode chegar a R$ 40 mil. Se o posto não apresentar os documentos solicitados pelo Procon no prazo, a autuação é imediata.

Em relação às distribuidoras, Lopes salientou que a Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, notificou o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) para que instaure um procedimento para receber as informações e penalizar as empresas que estiverem praticando aumentos abusivos, com base na Lei de Livre Mercado.(S.S.)

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