Ovhanes Gava, do Sincoval: "Se não conseguirmos aumentar a arrecadação, teremos de demitir mais dois até o final do ano"
Ovhanes Gava, do Sincoval: "Se não conseguirmos aumentar a arrecadação, teremos de demitir mais dois até o final do ano" | Foto: Marcos Zanutto



Demissões, fechamento de subsedes, vendas de espaços de lazer, novos serviços cobrados dos associados. Essas são algumas das providências tomadas por sindicatos patronais e de trabalhadores para sobreviverem após o fim da obrigatoriedade do imposto sindical. Do primeiro semestre do ano passado para o mesmo período deste ano, segundo o MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), o montante destinado às organizações de empregados caiu 91% e às de empregadores, 74%.

LEIA MAIS:
- Fecomércio e CUT sofreram menos impacto

De acordo com o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), foram fechados pelo menos 110 postos de trabalho em sindicatos e entidades afins só em Londrina, de janeiro a julho.
A contribuição sindical obrigatória foi extinta pela reforma trabalhista no ano passado e, em junho, o STF (Supremo Tribunal Federal) manteve a extinção ao votar ADI (ação direta de inconstitucionalidade) sobre o tema.

O Stimmmel(Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Londrina e Região) foi um dos que demitiram. A entidade cortou quatro vagas e fechou subsedes em Apucarana, Rolândia, Cornélio Procópio e Siqueira Campos. "Fechamos tudo", diz o secretário-geral, Valdir de Souza.

No Stial (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Londrina), a receita caiu 60% e foi necessário demitir dois funcionários, além de colocar a chácara de lazer à venda. "Se continuar assim, teremos de demitir mais gente", diz o presidente Francisco Carlos Ferreira.

Já, no Sincoval (Sindicato do Comércio Varejista de Londrina e Região), foram seis demissões desde janeiro. "Se não conseguirmos aumentar a arrecadação, teremos de demitir mais dois até o final do ano", conta o presidente, Ovhanes Gava. Hoje, o sindicato tem seis empregados.

O Sima (Sindicato das Indústrias de Móveis de Arapongas) alega que o imposto representava uma parte menor da receita (25%). E, mesmo assim, precisou fazer uma demissão. "A maior parte da nossa receita já vinha das mensalidades das empresas", conta o presidente, Irineu Munhoz. "O sindicato já trabalhava enxuto, com poucos funcionários", complementa.

LEIA TAMBÉM:

- Advogados discordam sobre a cobrança


Francisco Carlos Ferreira, do Stial : a receita caiu 60% e foi necessário demitir dois funcionários, além de colocar a chácara de lazer à venda
Francisco Carlos Ferreira, do Stial : a receita caiu 60% e foi necessário demitir dois funcionários, além de colocar a chácara de lazer à venda | Foto: Marcos Zanutto



ALTERNATIVAS
Buscar novos filiados tem sido a principal medida tomada pelo sindicato dos metalúrgicos para aumentar sua receita. São cerca de 25 mil trabalhadores na base da entidade, mas somente 3.200 filiados, que pagam R$ 60 cada. "A saída é conscientizarmos sobre a necessidade de manter o sindicato vivo", diz Souza.

O Stial pensa em estabelecer uma contribuição por convenção ou acordo coletivo. "Uma contribuição que seja aprovada em assembleia. Se o acordo beneficia toda a categoria, é justo que todos paguem", afirma Ferreira. Ele acredita que essa seria uma saída legal. Os advogados no entanto divergem a respeito (leia mais nesta página).

"Se não conseguirmos aprovar a contribuição nas assembleias será a falência dos sindicatos. Não temos como sobreviver só de mensalidade de associados", alega o presidente do Stial. O sindicato tem cerca de 1.100 filiados de uma categoria total de 6 mil trabalhadores. Cada um contribui com R$ 20.

O presidente do Sincoval diz que a entidade alugou imóveis para compensar a perda de receita. Dos quatro andares que compõem a sede principal, perto da prefeitura, dois foram destinados à locação. "Tudo isso para poder tocar o barco."

De acordo com Gava, o sindicato também tem uma reserva financeira acumulada ao longo dos anos. "Sabíamos que o imposto sindical uma hora iria acabar", justifica.

O Sincoval tem 13 mil empresas na sua base de 42 municípios, sendo que apenas 400 são associadas. Na terça-feira (21), a entidade realizou assembleia propondo uma "contribuição de custeio emergencial" somente para este ano. Para se manter no futuro, a ideia do sindicato é buscar mais sócios. "Minha meta é até o fim do ano ter 3 mil associados."

Novos serviços, como os de qualificação dos trabalhadores, também estão no radar do Sima para aumentar a filiação.

mockup