FOLHA CONFERE| Fiocruz desenvolveu vacina contra Covid-19?


Lara Bridi (estagiária)*
Lara Bridi (estagiária)*

FOLHA CONFERE| Fiocruz desenvolveu vacina contra Covid-19?
Folha Arte
 

Uma postagem em redes sociais proliferou nas últimas semanas informações falsas acerca da participação da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) na produção da vacina contra o novo coronavírus. O texto contém muitos erros ortográficos e gramaticais e traz a mensagem “A Fiocruz descobriu o genoma e as divisões celulares ‘do covide’ no mês de abril. Foi ela quem descobriu que sua base era de gordura. Porém, a Fiocruz não tinha a tecnologia para desenvolver a vacina, mas sabia como deveria ser feito. Procurou o Governo Federal na época e este não deu ouvidos, não autorizou auxílio financeiro e desprezou a pesquisa! A Fiocruz se uniu ao Butantan  em São Paulo que se comunicou com Oxford... Esses cientistas se comunicaram e compartilharam o descobrimento do genoma e a Oxford entrou com a tecnologia". A característica de apresentar erros de gramática e tom alarmista, inclusive, é uma das formas de se identificar uma notícia falsa que circule em redes sociais e grupos de mensagens privadas. Ao se deparar com mensagens duvidosas com essas características marque #folhaconfere para a checagem dos fatos. 

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Sobre a mensagem: 

Há de fato o envolvimento de Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), Instituto Butantan e Oxford no desenvolvimento da vacina para a Covid-19, mas não da maneira como a mensagem apresenta. Atualmente há 140 iniciativas ao redor do mundo para o desenvolvimento da vacina, sendo que quatro delas serão testadas no Brasil. É importante para evitar a desinformação sobre as pesquisas entender o papel de cada instituição nesse contexto: 



1- Universidade Oxford 

O Instituto Jenner, pertencente à Universidade Oxford, na Inglaterra, começou seus próprios estudos de desenvolvimento da vacina e depois se uniu ao conglomerado farmacêutico anglo-sueco AstraZeneca, para seu licenciamento. O estudo tem testes realizados no Brasil com apoio da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). As últimas avaliações dessa vacina, batizada de AZD 1222, indicaram que ela é capaz de produzir anticorpos, mas se a imunização é eficaz a longo prazo ainda é uma incógnita.  

2 - Fundação Oswaldo Cruz 

A Fiocruz firmou um acordo com a Astrazeneca que permitirá a produção da vacina no Brasil até o ano de 2021. O acordo é baseado na compra de lotes e transferência de tecnologia.

3 - Instituto Butantan 

O Instituto Butantan, de São Paulo, não faz parte das parcerias entre Oxford e Fiocruz. O Butantan age juntamente com o laboratório chinês Sinovac Biotech. O estudo de desenvolvimento da chamada PiCoVacc (ou CoronaVac) já está na fase três e é testada na China e no Brasil. Se sua eficácia for comprovada, é previsto que a PiCoVacc comece a ser produzida ainda em 2020, com fornecimento gratuito ao SUS.  


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O descobrimento 

A mensagem das redes também afirma que a Fiocruz foi a responsável pelo descobrimento do genoma do novo coronavírus. Foi verificado que a Fundação elaborou um protocolo para o sequenciamento do genoma viral em conjunto com a University College London, do Reino Unido, mas foram os pesquisadores do Instituto Adolf Lutz, no dia 28 de fevereiro de 2020, que decodificaram o Sars-Cov-2 pela primeira vez no Brasil.  

 

O Vírus 

Além da confusão entre os papeis exercidos pelas instituições presentes na postagem, há ainda incorreções científicas quanto a natureza do vírus. Primeiro, ressalta-se que Covid-19 (grafada “covide” no texto) é o nome dado à doença causada pelo novo coronavírus. O vírus em si é denominado Sars-Cov-2.  

Outro equívoco é afirmar que foram descobertas as divisões celulares do vírus. A bióloga e professora Edmara Jóia Zamberlan explica que os vírus são acelulares, isto é, não são compostos de células, como são os seres vivos. Portanto, o coronavírus não realiza a divisão celular, mas a replicação viral, em um processo em que “o vírus se divide e se reproduz dentro da célula hospedeira”, ensina Edmara. 

Esses deslizes são suficientes para desconfiar da veracidade do texto. É preciso estar sempre atento a esses detalhes antes de compartilhar uma notícia. Se você receber uma informação suspeita, não deixe de enviar para a Folha Confere por meio deste formulário (https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSd38WzlKEa0f0aAzzCO29kF22I7Ii6igmzsIK9I-2L7DCYpFw/viewform) ou utilizando a tag #FolhaConfere nas redes sociais.  


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FOLHA CONFERE é um projeto da Folha de Londrina que faz checagem de fatos com o intuito de combater a desinformação e esclarecer as dúvidas dos leitores. Você pode participar enviando para a equipe de checagem de fatos suas dúvidas quanto à veracidade de discursos, textos, imagens e vídeos recebidos ou lidos em sites, redes sociais ou aplicativos de mensagens privadas ou grupos. Acesse o formulário de envio de notícias falsas aqui https://forms.gle/wYQYVQCPGcQSWk188. Nas redes sociais use a hastag #FolhaConfere. 


*Supervisão: Patrícia Maria Alves - editora


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