A autoestima é um conceito frequentemente banalizado, confundido com vaidade, orgulho ou egocentrismo, principalmente nos dias atuais. Contudo, sob a ótica psicanalítica, ela não se confunde com nenhuma dessas manifestações narcísicas. A verdadeira autoestima não se edifica sobre a ilusão de ser melhor do que os outros, mas sobre o respeito por si mesmo, por aquilo que se é, e não pelo que se gostaria de parecer. É a capacidade de sustentar a própria verdade interna diante das pressões externas, sem se submeter inteiramente às expectativas alheias nem às idealizações do próprio ego.

Sabemos que desde que somos crianças o Eu se constitui nas relações com o outro. É no olhar do outro que, pela primeira vez, o sujeito se reconhece. No entanto, é preciso um longo percurso até que esse reconhecimento possa ser transformado em algo interno e duradouro, que não dependa exclusivamente da aprovação ou admiração exterior. Ter autoestima é ser capaz de sustentar-se a partir de dentro, preservando um senso de dignidade mesmo quando o olhar do outro não é favorável. Pena que isso seja tão pouco compreendido.

Quando a autoestima é frágil, a pessoa torna-se excessivamente vulnerável às frustrações inevitáveis da vida. Pode viver oscilando entre a submissão e a arrogância, sempre à procura de confirmação externa para preencher um vazio interno. O egocentrismo, frequentemente confundido com autoestima, é sua caricatura defensiva. O egocêntrico não se ama verdadeiramente: ele está aprisionado na necessidade de ser o centro, incapaz de se reconhecer nas faltas e nos limites que fazem parte da condição humana. Sua força aparente é, na verdade, uma que encobre a dependência extrema do olhar e da aprovação do outro.

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A verdadeira autoestima nasce da integração entre amor e limite, potência e vulnerabilidade. Ela se constrói quando o sujeito é capaz de acolher tanto suas qualidades quanto suas imperfeições, reconhecendo-se como um ser em constante transformação. Uma pessoa com autoestima não é aquela que se acha completa, mas aquela que se aceita inacabada, e que, justamente por isso, pode continuar crescendo. Enfim, autoestima é abraçar amorosamente a condição humana.

Em um mundo marcado pela comparação, pela busca incessante por validação e pelo culto à imagem, desenvolver a autoestima é um ato de grande preciosidade. É afirmar, silenciosamente, a própria singularidade em meio à avalanche de modelos que tentam nos uniformizar. Respeitar a si mesmo, com ternura e verdade, é o ponto de partida de qualquer vida emocionalmente saudável. Porque só quem é capaz de estar em paz consigo mesmo pode, de fato, estar em paz com os outros.

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A opinião do colunista não é, necessariamente, a opinião da Folha de Londrina

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