Redfoot completa 10 anos buscando fomentar o ecossistema de inovação
Ana Paula Murakawa é empreendedora e Líder da comunidade de startups Redfoot de Londrina e Região
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 13 de abril de 2026
Ana Paula Murakawa é empreendedora e Líder da comunidade de startups Redfoot de Londrina e Região
Lucas. V. Araújo 

Ana Paula Murakawa é empreendedora e Líder da comunidade de startups Redfoot de Londrina e Região (2025/ 2027)
3) Embora haja startups unicórnio que já passaram por Londrina, a cidade ainda se destaca em criar e fomentar startups, mas há certa dificuldade em tracionar e escalar startups, sobretudo aquelas que demandam altos investimentos no desenvolvimento de novas tecnologias. Como a Redfoot busca contribuir para suprir essa lacuna?
Esse é um ponto muito relevante. Londrina já demonstrou que tem capacidade de formar talentos, gerar boas ideias e criar startups, mas o desafio de tração e escala, especialmente em negócios de base tecnológica e pesquisa científica mais intensiva, ainda exige avanço em capital, conexões estratégicas e mecanismos mais robustos de apoio. A contribuição da Redfoot para essa lacuna passa, antes de tudo, por fortalecer o ambiente que sustenta o crescimento das startups. Isso significa aproximar empreendedores dos ambientes de inovação e de redes mais qualificadas de mercado, investimento, mentoria, governança e validação. Muitas vezes, a startup não precisa apenas de visibilidade; ela precisa das conexões certas para acessar clientes, parceiros tecnológicos, investidores e programas que ajudem a dar o próximo salto. A Redfoot também atua ao dar consistência institucional ao ecossistema, ajudando a organizar sua governança, articulação e visão de longo prazo. Isso é importante porque escalar startups não depende só do esforço individual do empreendedor. Depende de um ecossistema capaz de reduzir barreiras, criar pontes e acelerar oportunidades. Outro ponto é que a comunidade pode ajudar Londrina a amadurecer sua agenda de inovação, conectando a cidade a discussões mais estratégicas sobre capital, mecanismos de fomento, inovação aberta, aproximação com grandes empresas e fortalecimento de startups com maior densidade tecnológica. Em outras palavras, a Redfoot busca contribuir para que Londrina não seja apenas um lugar onde startups nascem, mas também um lugar onde elas conseguem crescer com mais estrutura, apoio e permanência. Ao completar 10 anos, a Redfoot também reafirma seu papel como uma iniciativa que vem acumulando experiência, articulação e legitimidade para participar dessa construção de longo prazo.
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4) Outra lacuna em Londrina e em todo o Brasil é o acesso limitado a recursos financeiros para startups. Com a segunda maior taxa de juros do planeta e diversas limitações nos recursos de subvenção econômica, o empreendedor brasileiro enfrenta muitas dificuldades para desenvolver novas tecnologias. Por outro lado, o Fundo Municipal de Inovação nunca foi usado, embora tenha sido criado há mais de uma década. Como a Redfoot está lidando com esse cenário?
Quando somamos juros altos, limitações de subvenção e baixa disponibilidade de instrumentos adequados de financiamento, o empreendedor acaba tendo de inovar em um ambiente muito mais adverso. Diante desse cenário, a Redfoot entende que seu papel é o de articulação, mobilização e construção de pontes. No caso específico do Fundo Municipal de Inovação, o fato de ele existir há tanto tempo sem uso mostra que não basta apenas ter o instrumento formalmente criado. É preciso haver articulação, prioridade política, governança e capacidade de execução. A Redfoot pode contribuir justamente nesse ponto: organizando a voz do ecossistema, aproximando empreendedores, instituições e lideranças públicas, e ajudando a transformar uma pauta histórica em agenda concreta. Mais do que apenas reivindicar recursos, a comunidade busca colaborar para que Londrina avance em uma visão mais estruturada sobre financiamento da inovação, combinando instrumentos públicos, aproximação com capital privado, fortalecimento institucional do ecossistema e construção de mecanismos que realmente cheguem às startups. A ideia é sair de uma lógica em que o empreendedor enfrenta tudo sozinho para uma lógica em que a cidade assume, de forma mais coordenada, o compromisso com o desenvolvimento de negócios inovadores.
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A opinião do colunista não é, necessariamente, a opinião da Folha de Londrina




