Cometa 3I Atlas: um visitante que está dando o que falar
Cometa que já chegou ao periélio - maior aproximação do Sol - carrega informações inéditas sobre os sistemas planetários
PUBLICAÇÃO
sábado, 01 de novembro de 2025
Cometa que já chegou ao periélio - maior aproximação do Sol - carrega informações inéditas sobre os sistemas planetários

Desde que foi descoberto em julho de 2025, pelos pesquisadores do observatório do Chile, o cometa 3I Atlas tornou-se o principal assunto dos sites e canais dedicados à astronomia e também de páginas de "curiosidades" que não param de tecer especulações sobre a origem deste objeto interestelar.
As especulações incluem uma pergunta: seria esse visitante uma sonda alienígena que obedece a controles na sua rota ou seus impulsos são naturais? A questão que pode tomar o rumo da chacota, pela suposição de o cometa ser uma sonda controlada por seres extraterrestres, ganhou ares científicos quando um controverso astrofísico de Harvard, chamado Avi Loeb, alimentou a imaginação de muita gente ao sugerir que a trajetória e a composição incomum do objeto poderiam sinalizar a presença de um artefato tecnológico com intenções desconhecidas no sistema solar. Mas isso não é consenso na comunidade científica.
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O fato é que o 3I Atlas, que alcançou o periélio - ponto de órbita com maior aproximação do sol - na última quarta-feira (29), continua instigando os astrônomos por suas características que podem dizer muito sobre seu local de origem. O cometa é o mais antigo observado até hoje, um velhinho de 7 bilhões de anos que tem mais idade que nosso sistema solar, com aproximadamente 4,6 bilhões de anos.
Além disso, sua composição química chama a atenção: observações do Telescópio Espacial James Webb revelam que seu "coma" - nuvem de gás de gás e poeira ao redor dos cometas - é basicamente de CO2, numa concentração jamais vista em cometas. Isso traz pistas de mundos inexplorados da Via Láctea.
Quando detectaram sua passagem, chegaram a afirmar que este cometa meio esquisito tinha uma anti-cauda - apontada para a frente - mas ela passou a brilhar como uma cauda comum à medida em que ele se aproximou do Sol. Ele tem também uma órbita hiperbólica muito rápida, o que o permite viajar sem ser capturado pela gravidade do Sol e, até por isso, depois do periélio, segue viagem pelo sisterma solar, até infinito, para não voltar.
Além das características incomuns e das especulações, importa é que o 3I Atlas possibilita um experimento científico sem precedentes. Por exemplo, a sonda Europa Clipper, da NASA, poderá cruzar os íons da cauda do cometa e coletar dados inéditos. Se der certo, será a primeira vez na história que uma espaçonave da Terra irá coletar partículas de um objeto interestelar.
O que for recolhido pode revelar muito sobre sua origem e responder a perguntas que remontam a eventos mais antigos do que o sistema solar. Isso permite maior conhecimento sobre como se formam os sistemas planetários, incluindo o nosso.
A passagem do cometa 3I Atlas pode não corresponder à ideia de termos alienígenas coletando dados de outras civilizações mas, certamente, pode promover um avanço sobre nossas origens, levantando mais um pedacinho da cortina de mistérios que remete à pergunta: de onde viemos e para vamos?


Celia Musilli
Editora de Cultura e colunista.




