Londrinenses saem à noite para 'caçar meteoros'
Somos tirados de nosso lugar comum ao avistar mundos, fundos, constelações e galáxias
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sexta-feira, 24 de outubro de 2025
Somos tirados de nosso lugar comum ao avistar mundos, fundos, constelações e galáxias

A semana foi atípica em Londrina e em várias cidades do Brasil. Com a notícia de que uma chuva de meteoros daria um espetáculo extra, os olhares se dirigiram para o céu noturno, com a expectativa redobrada nas madrugadas de quarta ( 22) e quinta-feira (23), quando a curiosidade fez muita gente ficar acordada.
Na Estrada do Limoeiro (Zona Leste), na noite de quarta, cerca de 200 "caçadores de meteoros" se juntaram num evento da Gedal - (Grupo de Estudo e Divulgação de Astronomia de Londrina), para sentir o gostinho de uma experiência cósmica.
Desta vez, o desafio era ver os meteoros que estão riscando o céu neste mês de outubro como uma sobra luminosa da última passagem do cometa Halley. A "chuva" é chamada de Orionídeas, porque nasce na constelação de Orion.
Teve quem só viu uma dessas estrelas cadentes, outros viram três ou quatro nas primeiras horas de observação, a partir da meia-noite, e teve quem aguentou firme, até o amanhecer, para ver muito mais.
De minha parte, contentei-me com três avistamentos porque, além de ver meteoros, valeu a experiência de rumar para a Estrada do Limoeiro junto com Adriana De Cunto, nossa chefe de redação, para ver uma "chuva" que não foi assim tão forte, mas estimulou a aventura de olhar o céu noturno com mais atenção. Estrelas estão no centro de meu interesse desde criancinha porque meu pai era um entusiasta dos meteoros ou qualquer outro objeto celeste.
O céu estrelado, além de instigante, é poético. E a noite de observação dos meteoros a olho nu, naquela estrada escura, perto de um campo de soja, nos deu também a oportunidade de ver Saturno num telescópio montado pela turma da Gedal. Miguel Fernandes, que faz parte dessa turma, ainda deu várias explicações sobre os meteoros e as constelações.
Alguma coisa muito primitiva se estabelece entre nós e o céu quando paramos a rotina para observá-lo. Não se trata de "mais um céu de cada dia", mas de um espetáculo que provoca uma espécie de transcendência da nossa presença minúscula diante da vastidão.
Neste mês de outubro, quando meteoros explodem no espaço, outro objeto chama atenção dos astrônomos, o 31/ Atlas. Um viajante espacial, com características incomuns, que faz alguns acreditarem que se trata de uma nave alienígena "disfarçada de cometa."
Ele é feito de uma matéria incomum, segundo os astrônomos, e não tem cauda como os cometas, mas uma luz de farol que se projeta para a frente. Entre a realidade e a ficção, até cientistas renomados estão intrigados com sua passagem pelo sistema solar.
Enquanto as especulações não são desvendadas, vamos ficar com a poesia desses corpos que viajam pelo espaço nos fazendo olhar para o céu com perplexidade e um bocado de emoção porque somos tirados de nosso lugar comum ao avistar mundos, fundos, constelações e galáxias.


Celia Musilli
Editora de Cultura e colunista.


