1) Elogio. Como forma de adulação ou negociação o elogio é enganação, mas o elogio merecido constrói amizades e valoriza méritos.

Lembro quando a filha Analu, menina, deixava seu quarto todo desarrumado, brinquedos espalhados, e, se lhe fosse pedido arrumação, acontecia o contrário. Até que um dia, quando ela escovava os cabelos, recebeu elogio: Como seus cabelos escovados assim ficam bonitos! – e no dia seguinte o quarto estava arrumado.

2) Sorriso. No seu livro Como Fazer Amigos, de 1935, pioneiro de autoajuda quando esta expressão ainda nem existia, Dale Carnegie mostra como o sorriso é construtivo. É o melhor começo de todo relacionamento, falando antes das palavras, moeda corrente no comércio e nos serviços, dissolvedor de desavenças inúteis, e é para nós o mesmo que é para os cachorros o abano de rabo. A pintura mais famosa do mundo é a Mona Lisa, sorrindo. E, com os braços atados na cruz, o último gesto de Jesus, ao falar ao bom ladrão, só pode ter sido um sorriso.

3) Presentes ou agrados também constroem amizades ou freguesia. Pode ser coisa pequena como a pequena jarra de água gelada com copos, que a sorveteria põe na mesa. Vou mais à única sorveteria que me dá isso, mesmo que seja preciso rodar mais; ela faz por merecer.

4) Confiança se constrói com pontualidade, seja de chegada pessoal ou entrega de produto, serviço ou encomenda, com preços justos sem reajustes. É uma das explicações para insucesso ou decadência de tantas pequenas empresas que não crescem ou grandes empresas que encolhem, como os Correios (Empresa Brasileira de Correios - e Telégrafos que aliás quase nem existem mais).

A confiança é o maior patrimônio pessoal ou empresarial, e tanto pode construir como sua carência, a desconfiança, destrói como um veneno que passa boca a boca. E confiança é o que os políticos mais procuram transmitir ao eleitorado, e a traição a essa confiança é a maior geradora de votos nulos, brancos e ausentes. Assim a confiança pode ser a maior ferramenta e a maior carência da democracia.

5) Solidariedade também constrói, desde creches e asilos até programas sociais que usam o dinheiro público para ajudar os carentes. Somos os únicos seres no planeta que cuidam dos feridos e amparam os idosos e deficientes. Quem acha que solidarizar é desperdício está tomado pelo pior dos vícios, o egoísmo que constrói amargura e solidão. Todos que ajudam outros sorriem mais, mesmo se pobres também.

Claro que, como tudo que é humano, a solidariedade pode ser distorcida e abrigar aproveitadores, mas devido a algumas tábuas carcomidas não se deve derrubar a casa. O nazismo, pior regime que já existiu, não vitimou apenas judeus mas também deficientes, ciganos, eslavos e negros, testemunhas de Jeová e todos os opositores do regime. No entanto, após a derrota do nazismo, os dezenas de milhões de nazistas foram perdoados solidariamente pelo regime democrático, ou teríamos holocausto muito maior. A solidariedade está sempre construindo a Humanidade.

6) E esperança, sem o que nem vale a pena sair da cama. Sem esperança nem teríamos cama, seríamos ainda selvagens a viver coletando alimentos esparsos de vale em vale. Esperança anima, e não é à toa que a palavra “ânimo” vem do Latim significando “dar vida” ou “manifestar alma”. Ter esperança é animar a alma, construir um sentido para a vida, esse mistério tão interessante e tão gostoso (para quem tem esperança).

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