Cultura da urgência. Sabe o que é?

É o modelo que está produzindo empresas que se movimentam muito, mas pensam pouco, quando tudo é tratado como imediato. Velocidade deixa de ser competência e passa a ser reflexo.

O resultado? Alto nível de improvisação, retrabalho, decisões rasas e desgaste constante. As equipes passam o dia apagando incêndios que, é claro, nasceram da falta de planejamento.

Gerentes imediatistas confundem "estar ocupado" com "ser produtivo". E nada poderia estar mais equivocado. Quando tudo é urgente, nada é prioritário.

Uma empresa assim perdeu a capacidade de distinguir o que é importante do que apenas faz barulho. E esse é o caminho certo para transformar pessoas competentes em gente reativa, cansada e cada vez menos capaz de discernir.

Pense numa ambulância com a sirene ligada o dia inteiro. No primeiro dia, todos abrem passagem. Na primeira semana, olham pela janela. No primeiro mês, ninguém mais escuta. A sirene que toca sempre deixa de ser alarme e vira ruído; e quando surgir a emergência verdadeira, ela vai atravessar a cidade sem que ninguém saia da frente. É exatamente esse o efeito que a urgência permanente causa dentro de uma empresa: anestesia a atenção de todos até o dia em que ela seria realmente necessária.

Correr o tempo todo não é agilidade. Saber onde acelerar, onde parar e o que merece atenção, isso é a sabedoria da eficiência.

Não estou pregando a eliminação da urgência. Ela existe e sempre existirá. Proponho apenas que não se torne cultura, para que a desorganização não se fantasie de adrenalina.

Quer mesmo saber a razão central disso?

Porque viver correndo é o modo mais rápido de chegar atrasado às decisões que realmente importam. A empresa que trata cada minuto como emergência descobre, tarde demais, infelizmente, que gastou a pressa toda com o que era pequeno e chegou sem fôlego ao que era grande.

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