Lá se foi mais um planejamento estratégico.

Foram dois dias de retiro numa pousada com café da manhã incluso, post-its coloridos na parede, um consultor entusiasmado vestindo blazer e tênis, e uma apresentação de 60 slides que resumia o futuro glorioso da empresa para este e para os próximos dois ou três anos.

Na semana seguinte, o arquivo estava na pasta "Importantes" do servidor. Trinta dias depois, ninguém lembrava onde a tal pasta estava. No terceiro mês, a empresa voltou ao modo de sempre: gestor decidindo pelo que sente, pelo que acredita, pelo que "sempre funcionou" e pela famosa leitura de realidade que ele faz depois do terceiro café, às 7 da manhã, com a clareza inabalável de quem nunca testou se seus lampejos mentais estão corretos.

Intuição é a ferramenta mais cara do mercado. Não tem preço de tabela, não emite nota fiscal, mas manda cobrança no final do trimestre. O gestor moderno a carrega como um superpoder adquirido em anos de experiência. Na maior parte das vezes é apenas um conjunto de pressupostos envelhecidos que nunca foram confrontados com a realidade. Pode ser experiência. Mas jamais foi expertise.

Ele presume o que o cliente quer sem perguntar. Presume o que o time entendeu sem verificar. Presume que o problema é externo, porque presumir, que é interno, exigiria uma conversa desconfortável consigo mesmo.

O resultado aparece na margem de lucro que encolhe, nas metas que nunca fecham e nas explicações criativas que crescem na proporção inversa dos resultados.

Conclusão: um método disciplinado nada significa para esse tipo de “dirigente”. Ele ignora que intuição sem controle conduz, inevitavelmente, à ruína. Governar guiado apenas pelo próprio faro transforma-se, de modo recorrente, no mais elevado preço pela convicção mais barata que existe.

Quem não domina a própria mente não lidera nada.

E o prejuízo já estava avisando isso há muito tempo.

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