Cheguei recentemente de uma viagem a Israel para visitar os meus filhos e netos num período curioso do ano. Enquanto boa parte do Ocidente entra no modo “recesso”, ali a vida empresarial segue quase sem pausa. Natal não é feriado – devido à religião – e a virada de 31 de dezembro passa, para quase todos, como um detalhe de calendário.

Esse “vácuo” de festas me deu horas de conversa com empresários e executivos, e vale registrar um traço recorrente do ambiente corporativo israelense: a combinação improvável de dureza estratégica com uma informalidade simples e muito interessante.

Para entender, ajuda a metáfora da sabra, o fruto espinhoso por fora e doce por dentro. Nas empresas, isso aparece como franqueza radical. Reuniões parecem barulhentas, com interrupções e perguntas diretas que, para um estrangeiro, soam como confronto. Na prática, é um método: encurtar o caminho entre problema e solução. O debate é agressivo com a ideia, não com a pessoa. Se o argumento é bom, a hierarquia cede.

A autoridade existe, mas é por competência e entrega. O estagiário pode discordar do diretor; o diretor espera ser contestado. O ritmo é ditado por urgência: testar cedo, errar rápido, corrigir mais rápido ainda. Planejamento longo demais é visto como luxo; protótipo e feedback valem ouro. Há também uma confiança alta na iniciativa individual, com gente opinando fora da própria caixinha sem pedir licença.

Curiosamente, por baixo dessa aspereza, pulsa um senso de comunidade intenso. Redes formadas na universidade, no serviço militar ou no ecossistema de startups criam uma cultura de “ajudo hoje, você me ajuda amanhã”.

O resultado é um empresário pragmático, impaciente com teatro corporativo, mas leal quando percebe seriedade. Israel ensina que eficiência não precisa de polidez excessiva; precisa de propósito, clareza e coragem para discutir o que importa. Para quem negocia com eles, a regra é: leve dados, assuma responsabilidade e não personalize a fricção. A doçura vem depois, como consequência inegável.

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