Há um comportamento silencioso e recorrente nas empresas que merece atenção: é o funcionário que investe mais energia em ser percebido do que em produzir.

Lá está ele. Dia após dia, antes mesmo de ligar o computador, já enviou o "Bom dia, equipe! Deus abençoe!" com a pontualidade que raramente está presente em suas entregas. E às segundas-feiras: “Boa semana a todos!”

Gentileza genuína? Antes fosse. Quase sempre trata-se apenas gestão de imagem movida por insegurança pessoal ou profissional. Quem confia no próprio trabalho não precisa anunciar que chegou.

A necessidade compulsiva de marcar presença nos grupos, de distribuir positividade forçada, motivação barata e colecionar curtidas do chefe é, em grande parte, uma tentativa inconsciente de compensar o que falta em desempenho real e produtividade. É a versão corporativa de pagar a conta com sorriso porque o saldo está negativo.

A psicologia chama isso de “busca por validação externa”. Eu, porém, chamo de “falta de entrega”, e aconselho o chefe desses tais funcionários a observar a distração organizada que explica tal comportamento.

O problema se aprofunda mais quando essa conduta é tolerada ou, pior, recompensada com simpatia. De fato, ela sinaliza para toda a equipe que visibilidade emocional vale mais do que resultado concreto. E aí a cultura da empresa começa a ser contaminada por uma competição silenciosa de quem aparece mais, não de quem entrega melhor.

Profissionais seguros de si não disputam atenção em grupos de mensagens. Eles disputam relevância pelo trabalho que fazem. Não precisam comprar a simpatia de ninguém. Sua presença já se justifica por aquilo que constroem.

“Bom dia” é educação. Profissionalismo é resultado. E nenhum emoji substitui desempenho com qualidade e dedicação.

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