Durante a Segunda Guerra Mundial, várias forças militares usavam ilhas do Pacífico como bases. Aviões chegavam com comida, roupas e equipamentos. Para os moradores, parecia que bastava haver uma pista, uma torre e pessoas fazendo sinais para os aviões aparecerem.

Quando os militares foram embora, algumas comunidades construíram versões de bambu dessas instalações. Imitavam os sinais e esperavam que os aviões voltassem. A espera não deu resultado. Uma pista de bambu não chama avião. O que fazia os aviões chegar era um sistema inteiro: combustível, pilotos, comunicação, rotas e uma operação organizada.

Empresas repetem esse erro com crachá, apresentação de PowerPoint e mesa de café com pão de queijo. Visitam uma companhia bem-sucedida, copiam as reuniões, enchem as paredes de post-its e batizam tudo com nomes em inglês. Depois, aguardam os resultados como quem espera carga na pista de bambu.

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O que elas não sabem e nem desconfiam é que copiar rituais não traz junto o raciocínio que o criou. Uma reunião diária não corrige metas confusas. Um quadro colorido não substitui processos e responsabilidades. Uma metodologia da moda não transforma uma equipe sem preparo em equipe competente. A empresa compra a embalagem e se convence de que adquiriu o conteúdo.

Portanto, antes de copiar uma prática, busque descobrir que problema ela resolvia, quais condições permitiam seu funcionamento e se essas condições realmente existem na sua empresa. Só depois é que vale adaptar o método, preparar as pessoas e cobrir a execução.

Se ninguém sabe por que faz aquilo, o ritual não passa de um teatro. E teatro corporativo quase sempre é caro demais: consome tempo, produz relatórios e ainda dá aos responsáveis a confortável sensação de que estão modernizando alguma coisa.

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