Com a palavra: os pseudoespecialistas
Experiência teórica não deve, e não pode, ser vendida como prova de execução
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segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Experiência teórica não deve, e não pode, ser vendida como prova de execução

Há “especialistas” que percorrem o mundo ensinando tudo sobre empresas. Explicam estratégia, cultura, liderança, inovação, sucessão e até como reorganizar a organização em três dias, de preferência com um quadro branco, algumas palavras em inglês e uma plateia disposta a fotografar os slides e aplaudir nos momentos certos.
Falam com tanta segurança que parece estranho ninguém perguntar o básico: em qual empresa essa fórmula foi testada? Em que negócio o método sobreviveu a cliente inadimplente, fornecedor atrasado, funcionário indispensável e sócio que confunde opinião com competência?
A resposta costuma ser delicadamente omitida, ou subitamente inventada, eles são criativos. Esse “especialista” nunca teve uma empresa. Teve ideias, cursinhos de fim de semana, certificados, entrevistas e talvez uma excelente apresentação sobre empreendedorismo. E tem um perfil no Instagram ou LinkedIn em que se intitulou “especialista”. Mas empresa mesmo, com folha, impostos, estoque, decisões irreversíveis e dinheiro próprio exposto ao risco, isso ficou para os outros.
É claro que não é obrigatório possuir uma empresa para estudar gestão. Um bom pesquisador pode compreender uma doença sem ter adoecido, e um consultor pode enxergar problemas que o dono, envolvido demais, não percebe. O ponto é outro: experiência teórica não deve, e não pode, ser vendida como prova de execução.
Organizar uma empresa em três dias é possível, desde que a empresa seja uma maquete, o caixa seja imaginário e ninguém peça resultado no quarto dia.
Na vida real, mudanças exigem diagnóstico, autoridade, disciplina, acompanhamento e resistência à recaída. A empresa não se transforma porque alguém pronunciou “mindset” diante de um telão.
Antes de comprar promessa de especialistas, pergunte o que ele construiu, administrou, perdeu e recuperou. Se a resposta vier em forma de slogan, talvez você não esteja diante de um especialista. Provavelmente apenas diante de um palestrante muito bem ensaiado, tentando ensinar natação a partir da borda da piscina. E hoje em dia, talvez nem isso!


Abraham Shapiro
Coach e escritor.



