Chefe controlador ou cego
O gestor "linha-dura" geralmente se orgulha de "não deixar passar nada". De verdade? Ele não vê nada
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segunda-feira, 22 de junho de 2026
O gestor "linha-dura" geralmente se orgulha de "não deixar passar nada". De verdade? Ele não vê nada
Cientistas colocaram um porco-espinho numa câmara e o expuseram a vento congelante vindo de todos os lados. O animal se fechou em bola, espinhos para fora. Quanto mais forte o vento, mais fundo ele se enrolava escondendo justamente a parte que mais precisava de calor.
Desligaram o vento, acenderam uma lâmpada que emitia calor. Minutos depois, o bicho se abriu sozinho, sem nenhum esforço.
Chamam isso de Efeito Vento Norte. Mas o nome engana: o experimento não é sobre frio. É sobre o que o medo ensina um organismo a esconder de quem o ameaça.
Curiosamente, é exata essa lição que a maioria das lideranças corporativas insiste em não aprender, mesmo pagando consultorias caras para lhes ensinar o contrário.
Todo gestor que grita acredita estar extraindo desempenho. Na prática, está treinando a própria equipe a mentir com mais sofisticação. É o que também acontece com filhos de pais brutos. Ninguém deixa de errar perto de um chefe hostil; só aprende a errar em silêncio, com mais perícia na maquiagem. O erro não desaparece, mas migra para debaixo do tapete, prospera lá, sem fiscalização, até explodir tarde demais para custar pouco.
E o mais irônico de tudo: o gestor "linha-dura" geralmente se orgulha de "não deixar passar nada". De verdade? Ele não vê nada. Passa tudo. Ele só não fica sabendo.
Pressão não filtra os fracos do time. Filtra, com primor, a informação que chega até sua mesa.
Faça-me o favor de refletir sem se poupar: quantos problemas reais da sua empresa você desconhece hoje porque alguém, num momento de medo, calculou, racionalmente, que contar a verdade custaria mais caro que escondê-la?
“Vento frio” não arranca confissão de ninguém. Só cria especialistas em "se enrolar bem".


Abraham Shapiro
Coach e escritor.



