Há pseudos consultores na região prometendo “organizar” uma empresa em dois dias. Cuidado.

Para o empresário exausto, a oferta soa como água no deserto. Caixa apertado, equipe desalinhada, clientes reclamando e vendas estacionadas. Então aparece alguém garantindo que, em quarenta e oito horas, tudo entrará nos eixos.

Empresa não é mala de viagem, na qual basta dobrar melhor as roupas e sentar sobre a tampa.

Uma organização é um organismo. Tem memória, vícios, medos, interesses, conflitos, processos, números e pessoas que aprenderam a sobreviver exatamente dentro da desordem que agora se pretende eliminar. Mexer nisso sem diagnóstico é como operar um paciente depois de assistir a três vídeos sobre anatomia no Youtube.

A própria McKinsey, uma das maiores consultorias globais, reconhece que cerca de 70% das transformações organizacionais fracassam, não por falta de frases inspiradoras, mas porque mudança exige liderança, envolvimento das pessoas, método e execução consistente.

Consultoria séria começa devagar exatamente naquilo em que precisa começar: ouvindo, examinando dados, identificando causas, separando sintomas de problemas e definindo prioridades. Só depois vem a intervenção. O que não é assim, é só teatro de quem nunca conseguiu se colocar numa profissão e tornou-se um “especialista” com PowerPoint, distribuindo palavras fofas, tirando fotos em posição de vitória e sumindo do cenário antes que as consequências cheguem.

Não contrate!

Caso você não resista, exija método, referências, casos verificáveis, limites da proposta e critérios de resultado. Desconfie de quem vende certeza antes de compreender o problema.

Uma orientação superficial pode piorar a sua situação, transformar confusão em caos e, de sobra, deixar na recepção um quadro colorido para provar que houve estratégia, quando o que houve, de fato, foi apenas pressa para cobrar uns trocados e garantir a sobrevivência dos tais consultores.

Milagre empresarial de dois dias existe, sim. E normalmente, dura só até o terceiro.

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