Mais um curso. Mais uma certificação. Outro MBA. Um novo livro. Depois, talvez, mais seis meses de preparo antes de tomar a decisão que deveria ter sido tomada há três anos.

A pessoa estuda, atualiza-se, acumula títulos. Tecnicamente, está mais pronta. Mas pronta para quê? Ninguém sabe, porque o conhecimento nunca chega à prova da realidade.

O preparo infinito quase sempre esconde uma função inconfessada: adiar o instante em que alguém será avaliado não pelo que sabe, mas pelo que entrega. Enquanto você se prepara, o fracasso permanece hipotético. O erro não aparece. A crítica não chega.

Essa é uma forma sofisticada de procrastinação, talvez a mais respeitada de todas. Ninguém censura quem está estudando. Ao contrário, elogia. E cada elogio oferece à paralisia uma aparência elegante de progresso.

Conhecimento é indispensável. Mas, quando não desemboca em decisão, torna-se esconderijo. Há gente usando diplomas como muralhas, livros como anestesia e planejamento como desculpa. Não lhe falta competência. Falta coragem para aceitar que toda obra começa abaixo do padrão imaginado.

O mundo raramente premia quem esperou sentir-se completamente preparado. Premia quem começou com seriedade, suportou o desconforto de parecer iniciante, ouviu a realidade e corrigiu a rota. A prática revela perguntas que nenhum curso consegue antecipar.

Talvez você não precise de outra formação. Talvez precise entregar a proposta, abrir a empresa, publicar o texto, fazer a ligação ou assumir a responsabilidade que vem adiando.

Olhe com honestidade para aquilo que você chama de preparação. Pode ser medo usando roupa de virtude.

Por favor, não entregue seus melhores anos à espera de uma segurança que jamais virá. Comece. Mesmo pequeno. Mesmo imperfeito. A vida não pede que você saiba tudo. Pede apenas que tenha coragem de colocar em movimento aquilo que Deus já confiou às suas mãos.

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