“Cada um tem sua verdade.” Essa frase soa tão chique que poderia estar bordada em almofada de sala de estar. Só que, façamos um acordo, é uma péssima filosofia de vida.

Se todo mundo tivesse sua própria verdade, ninguém teria verdade nenhuma. A Lua continuaria com quatro fases, mesmo que você insista que são nove. A água continuaria fervendo a 100 °C – nas CNTP – , mesmo que alguém poste no Instagram que ferve a 40. O sangue correndo nas nossas veias não seria suco de uva só porque alguém prefere acreditar nisso.

Essa conversa de “minha verdade” é, no fundo, uma desculpa – bem estúpida, aliás –, de quem não pensa. É preguiça intelectual disfarçada de sabedoria. Em vez de analisar fatos, muita gente prefere defender crenças como se fossem animais de estimação: mimos, blindagem e, se alguém ousar questionar, parte-se para o ataque e o “cancelamento”. E daí? Polarização, raiva e um festival de egos inflados em redes sociais e nas mídias.

A maturidade começa quando entendemos que verdade existe, mas também que ela pode ser iluminada por diferentes ângulos.

Escutar não é render-se. Questionar não é trair a si mesmo. É só a vida lembrando que pensar dá trabalho. Mas compensa. E nós existimos essencialmente para isso.

E aqui entra a lição para gestão e liderança: falsos líderes impõem “suas verdades” e sufocam as pessoas. Líderes verdadeiros e fortes sabem colocar ideias à prova, ouvir perspectivas divergentes e decidir pelo que resiste ao atrito. Verdade não é sobre ter sempre razão; é sobre ter coragem de mudar de ideia.

Ora. Se até o GPS sabe quando corrigir a rota, por que você e eu não?

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