Nas palestras de motivação, ela aparece com frequência quase religiosa. É aquela frase atribuída a Thomas Edison sobre suas centenas de tentativas frustradas na busca pelo filamento ideal para a lâmpada elétrica. Você já a ouviu: "Não fracassei nenhuma vez. Provei que aquelas setecentas maneiras não funcionam."

O público aplaude. A frase é boa. Cumpre seu papel de animar quem está prestes a desistir. E, claro, isso tem valor.

Mas há perguntas que ninguém faz depois dos aplausos. Cada uma daquelas tentativas custou tempo e dinheiro. Recursos reais, não metáforas. Como ficou tudo isso?

Se Edison tivesse encontrado a solução na primeira tentativa, teria continuado experimentando as outras 699 por amor ao aprendizado? Evidentemente não. E os filamentos que não funcionaram acrescentaram algum valor além da eliminação do que era inútil?

Aqui aparece um conceito muito importante: iteração. É o processo de tentar, errar e corrigir até chegar à resposta certa (algo legítimo e necessário). Ninguém aprende sem iteração. A questão não é, e nunca foi, errar, e sim romantizar o erro a ponto de dispensar o pensamento que deveria antecedê-lo.

Errar sem análise não é coragem. É negligência com prazo de tolerância.

A sua empresa, o seu projeto, a sua carreira têm capacidade de absorver 700 tentativas malsucedidas? Na maioria dominante dos casos a resposta honesta é “não”. E é exatamente por isso que pensar antes de agir não é timidez e nem análise exagerada. É economia. Economia de vida.

Talvez Edison fosse um gênio genuíno, como muitos dizem. Mas o verdadeiro legado que ele deixou não está no número de vezes que errou. Está, antes e mais que tudo, no fato de que nunca parou de pensar enquanto tentava.

Essa é, infelizmente, a parte que os motivadores convenientes das palestras caça-níqueis deixam de fora.

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