Bela lição de evolução profissional: a Inteligência Artificial está fazendo com habilidades técnicas o que a internet fez com agentes de viagem, ou seja, transformando especialistas em dinossauros corporativos. E a maioria nem percebeu ainda.

Como o grande Peter Drucker profetizou há décadas, "o conhecimento se tornou o principal recurso econômico". Só que agora esse conhecimento mudou de endereço. Saiu das competências técnicas e migrou para capacidades genuinamente humanas.

Dados: 70% dos líderes de grandes e médias empresas relatam deficiências críticas em habilidades humanas. Comunicação lidera o ranking das carências: 46% citam como problema. Em seguida vêm o trabalho em equipe e pensamento criativo. Em resumo, competências que pareciam "frescura de RH" viraram as habilidades mais procurados no mercado.

A matemática é implacável: 76% das vagas já exigem pelo menos uma habilidade duradoura, e 47% demandam três ou mais. Enquanto isso, universidades continuam formando especialistas técnicos para um mundo que não precisa mais deles.

A ironia é jocosa: enquanto todo mundo correu atrás de cursos de programação e certificações técnicas, quem desenvolveu inteligência emocional e capacidade de mediação ganhou vantagem competitiva duradoura.

É a lei da gestão em ação: "Eficiência é fazer as coisas direito; eficácia é fazer as coisas certas". IA dominou a eficiência técnica. Agora precisamos dominar a eficácia humana: saber o que fazer, como liderar, como inovar sob pressão.

Funcionários sem estas chamadas “habilidades duradouras” viram gargalos organizacionais, isto é, geram mal-entendidos, trabalham isolados, não conseguem se adaptar a mudanças constantes, criam ambientes tóxicos e aumentam rotatividade.

Num mundo hiperconectado, quem não souber conectar-se genuinamente com outros humanos será desconectado do mercado de trabalho.

E quanto a você? Está investindo em competências que máquinas podem replicar? Ou desenvolvendo capacidades que são exclusivamente suas?

No novo mundo do trabalho, quem não souber ser estrategicamente humano será estrategicamente irrelevante.

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