CORONAVÍRUS -

Uso de máscara passa a ser obrigatório em Londrina

Com retorno da indústria e construção civil ainda essa semana e comércio e prestação de serviço na semana seguinte, população deve tomar mais cuidados para adentrar em ambientes fechados

Laís Taine - Grupo Folha
Laís Taine - Grupo Folha

O prefeito Marcelo Belinati anunciou na manhã deste sábado (11), em coletiva à imprensa via online, as retomadas das atividades em Londrina. Conforme a FOLHA havia adiantado, o Município optou por estender por mais uma semana o decreto de isolamento social, mas apresenta estratégias de retorno de alguns setores. No entanto, para a retomada das atividades comerciais, torna-se obrigatório o uso de máscaras de contenção (de pano) em todos os ambientes fechados da cidade, como transporte público, estabelecimentos comerciais e prédios públicos. O documento com as novas diretrizes será publicado ainda neste sábado.


Uso de máscara passa a ser obrigatório em Londrina
Gustavo Carneiro
 


Segundo o prefeito, o retorno vai ser gradativo, a partir da quarta-feira (15), com o retorno primeiramente da indústria, seguida de construção civil e, na segunda-feira (20), os prestadores de serviço e atividades comerciais.




Não poderão retornar às atividades, os colaboradores que fizerem parte do grupo de risco da doença e haverá descrição de como cada setor deve proceder para garantir a segurança dos colaboradores e clientes.


Apesar da reabertura, Belinati não descarta a possibilidade de novos fechamentos. "Após essa abertura, e isso vai ser analisado dia a dia, pode ser necessário fechar de novo. Isso vai depender de como está acontecendo a pandemia na cidade."


Na ocasião, o prefeito apontou a prorrogação do período de suspensão das aulas para até o mês de maio, a desinfecção de superfícies nos terminais urbanos (central e nos bairros) e das UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) e a obrigatoriedade do uso de máscaras de contenção.


MÁSCARAS
Para adentrar em locais fechados, como transporte coletivo, estabelecimentos comerciais e prédios públicos, a pessoa precisa estar protegida por máscara de contenção. "Se vamos retornar de forma gradativa nossas atividades econômicas, nós temos que ampliar as medidas de segurança", explica o prefeito. "É a máscara de contenção, de pano, não é a máscara de hospital, porque a máscara de hospital tem que estar na unidade", acrescenta. Para isso, conta com a população e entidades na fabricação desses itens. 


DEBATE 
O retorno das atividades econômicas é um debate que coloca de frente entidades importantes da cidade. O setor produtivo divulgou manifesto na sexta-feira (10), dizendo ser contra a decisão do Coesp e defendendo a abertura imediata dos estabelecimentos. Já a 24ª Promotoria de Justiça de Saúde se posicionou contra a flexibilização do isolamento social em Londrina.  

 

“Não tem como ficar satisfeito, a gente está passando pela maior crise da história do mundo. Eu tenho todo meu respeito a todo setor empresarial, eu sei da dificuldade, mas a gente tem que ter esse critério, é uma coisa nova que o mundo nunca viveu. O que não podemos, de forma desenfreada, liberar todo mundo. Se todo mundo pegar ao mesmo tempo, vai sobrecarregar nosso sistema de saúde”, defende Belinati. 


DECISÃO 

Todas as decisões foram tomadas com base na reunião realizada na última quinta-feira (9) com os membro do Coesp, que é um grupo técnico que orienta as ações do Município no enfrentamento à pandemia do novo coronavírus, comandado por especialistas em epidemiologia e virologia e representantes dos serviços de saúde da cidade e região. "Aqui em Londrina as decisões serão tomadas pela medicina, por técnicos, pela ciência", afirma o prefeito. 


O médico pneumologista Alcino Cerci Neto, membro do Coesp, professor da UEL (Universidade Estadual de Londrina), representante do CRM (Conselho Regional de Medicina) esteve presente na coletiva e afirmou que as recomendações feita pelo conselho se dá com base em dados científicos nacionais e internacionais e que é feito um cotejo com dados obtidos da cidade e estado.  


“A decisão é técnica, levantamos o número de casos, de leitos hospitalares, número de equipamentos de proteção e de testes para que se faça o monitoramento da população. Baseados nisso, nós conseguimos avaliar, nessa reunião, que nós conseguimos achatar a curva epidemiológica, porque tomamos medidas precoces, o que foi excelente”, comenta Cerci Neto.


ISOLAMENTO INTERMITENTE

“Com a abertura paulatina nós esperamos que vá aumentar o número de casos, mas será um aumento monitorado, dentro da capacidade hospitalar”, afirma o pneumologista.  A estratégia que foi definida pelo grupo é o de isolamento intermitente. “Vai ser uma abertura monitorada, quando nós percebermos que a nossa capacidade instalada de leitos ultrapassar um limite estabelecido pelo Coesp, que existe falta de EPIs para os profissionais e que não há teste ou não possa ter o número absoluto de casos da cidade, nós vamos recomendar o fechamento”, afirma.


O Coesp fica responsável por acompanhar a curva epidemiológica, que vai dizer, dentro dos critérios de segurança, se vai ser necessário ou não tomar novas medidas de suspensão das atividades econômicas para que o sistema de saúde da cidade se adeque às novas circunstâncias da doença. Esse monitoramento, segundo o médico, será realizado nos próximos três a seis meses.


LEITOS EM LONDRINA 

Londrina tem atualmente 251 leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e serão criados mais 70, resultando em 321 leitos. “A prefeitura está contratando dos hospitais particulares e prestadores de serviço mais 50 novos leitos de UTI, o que faria que nós ficássemos com 371 novos leitos. Esses 50 serão utilizados apenas se houver necessidade para pacientes com novo coronavírus”, explica Belinati.  


O Secretário municipal de Saúde, Felippe Machado, esteve na transmissão e comentou que Londrina conseguiu ampliar em mais de 20% o número de leitos que já existiam na cidade e que com a redução do número de outras doenças e ocorrências, como acidentes de trânsito, decorrente das medidas de isolamento, a taxa de ocupação hospitalar também caiu.  


“Hoje, o nosso hospital de referência para o novo coronavírus, que é o HU (Hospital Universitário), que sempre teve uma taxa de ocupação próxima dos 100%, está com 40%, o que nos permite avançar de forma gradativa a retomada das atividades”, argumenta. O secretário aponta que a cidade possui atualmente 2,92 leitos para cada 10 mil habitantes da Região Metropolitana de Londrina. “Muito próximo do padrão ouro da OMS (Organização Mundial da Saúde), que preconiza de um a três leitos para cada 10 mil habitantes”, afirma.  


 



HOSPITAL DE CAMPANHA 

Como estratégia, o secretário apontou o Hospital de Campanha a ser criado na estrutura do que virá a ser a maternidade do HU e vai contar com mais 120 novos leitos. Para um terceiro momento, em que a situação seja mais crítica, o município tem projeto emergencial para novo local. “Temos um projeto arquitetônico montado para que, se for necessário, tenhamos essa estrutura provisória em local determinado para que possamos ampliar ainda mais a nossa capacidade de leito”, afirma. A estruturação desse espaço provisório de atendimento levaria em torno de 20 e 25 dias. 

Como você avalia o conteúdo que acabou ler?

Pouco satisfeito
Satisfeito
Muito satisfeito

Últimas notícias

Continue lendo